A Flip 2009 em Fotos

Categoria: Fotos
De Homenagem a Manuel Bandeira

De Abertura da Flip

De Com Milton Hatoum

De Davi Arrigucci Jr.


De Liz Calder


De Adriana Calcanhoto lendo Bandeira


De Flipinha


De Entre livros


De Em frente a Pousada da Marquesa (será o João Gilberto Noll ao fundo?)

Flip 2009 – Em BH rumo à Paraty

Categoria: Outros

A mala de livros está quase pronta. Saio daqui a pouco para o Rio e de lá para Paraty.
No Submarino, livros de autores da Flip com desconto. Clique aqui para ver a lista.


Ingressos para a Flip 2009: o Mesmo Teste de Paciência de Sempre

Categoria: Outros

Quando faltavam 10 minutos para o início das vendas, loguei no site e, ao mesmo tempo, comecei a discar.

Depois de ouvir insistentemente o sinal de ocupado, fui atendido pouco depois das 10 horas (estava com muita sorte) e entrei na fila: era o 46º.

No site, após clicar no logo da Flip, não aparecia mais nada.

Minha esposa teve mais sorte, surgiu a tela para compra de ingressos para todas as mesas: não teve dúvidas, clicou e tentou fechar a venda. O site congelou às 10:35.

Pouco depois das 11:00 horas – e inúmeros agradecimentos pela minha paciência – uma voz simpática me atendeu.

Após informar que ingressos gostaria de comprar, a simpática moça me fornece uma senha e diz que após 48 horas poderia apanhar os ingressos no posto de atendimento. Sem nenhum recibo, e-mail, nada que indicasse que a tal moça simpática fez a escolha correta das mesas que havia solicitado. Agora é torcer para que nenhuma surpresa surja.

A venda limitada a dois ingressos por CPF me faz ir até o posto de atendimento no Shopping 5ª Avenida. Além de mim, irão mais duas pessoas.

Lá, o caos. Uma bela jovem – que disse ter chegado às 9 horas – tentava finalizar sua compra pelo sistema. Com ela um notebook conectado a internet (inútil naquele momento), com o site congelado. Ao redor, todos com muita raiva. Uma senhora informa que foi até o BH Shopping e lá o sistema estava fora, sem previsão para voltar. Desisti.

13:50 e a tela de checkout da minha esposa ainda está congelada.

Tudo como sempre. Apesar disso, a expectativa é ver um grande evento, numa cidade linda e num clima agradável onde a literatura será o destaque. Espero poder encontrá-los lá para um chopp.


Entrevista com Gay Talese

Categoria: Notícias & Links

“Eu não quero nada com o jornalismo. Não escrevo notícias. As notícias duram um dia. Eu quero escrever algo que se possa ler daqui a 30 anos, com o mesmo interesse.”

Gay Talese, um dos convidados para a FLIP 2009, numa bela entrevista para a Ípsilon. Seu novo livro, “Vida de Escritor”, já pode ser encontrado por aqui.


Programação da Flip 2009

Categoria: Notícias & Links

Acaba de sair a programação da Flip 2009. Estarei no evento postando informações sobre algumas mesas. A programação completa abaixo:

Quarta-feira, 01 de julho

19h
Conferência de Abertura
Davi Arrigucci Junior

21h30
Show de abertura

Quinta-feira, 02 de julho

10h
Mesa 1
Novos Traços
Fábio Moon, Gabriel Bá, Rafael Coutinho, Rafael Grampá, mediação de Joca Reiners Terron

11h45
Mesa 2
Separações
Domingos de Oliveira e Rodrigo Lacerda

15h
Mesa 3
Verdades inventadas
Arnaldo Bloch, Sérgio Rodrigues e Tatiana Salem Levy

17h
Mesa 4
China no divã
Ma Jian e Xinran:

19h
Mesa 5
Deus um delírio
Richard Dawkins

Sexta-feira, 03 de julho

10h
Mesa 6
Evocação de um poeta
Angélica Freitas, Heitor Ferraz e Eucanaã Ferraz

11h45
Mesa 7
A névoa da guerra
Atiq Rahimi e Bernardo Carvalho

15h
Mesa 8
Sentidos da transgressão
Edna O’Brien e Catherine Millet

17h
Mesa 9
O eu profundo e os outros eus
Cristovão Tezza e Mario Bellatin com mediação de Joca Reiners Terron

19h
Mesa 10
Seqüências brasileiras
Chico Buarque e Milton Hatoum

Sábado, 04 de julho

10h
Mesa 11
O dissonante século XX
Alex Ross

11h45
Mesa 12
Entre quatro paredes
Grégoire Bouillier e Sophie Calle

15h
Mesa 13
Segredos de família
Anne Enright e Tobias Wolff

17h
Mesa 14
Fama e anonimato
Gay Talese conversa com Mario Sergio Conti

19h
Mesa 15
Escrever é preciso
António Lobo Antunes

Domingo, 05 de julho

11h45
Mesa 16
O futuro da América
Simon Schama conversa com Lilia Moritz Schwarcz

15h
Mesa 17
Antologia Pessoal
Edson Nery da Fonseca e Zuenir Ventura

17h
Mesa 18
Livros de Cabeceira


Pynchon, por seu Tradutor

Categoria: Notícias & Links

“Pynchon é um dos mestres da prosa inglesa da segunda metade do século XX. A meu ver, sua principal contribuição à ficção de nosso tempo foi a incorporação e recriação poética da linguagem degradada da televisão, dos desenhos animados, das revistas em quadrinhos, dos chavões, do kitsch que nos cerca por todos os lados. Pynchon não tem medo do mau gosto, do excesso, da bobeira, da vulgaridade, que em sua ficção coexistem com erudição e sutileza.”

Para quem ainda não sabe o por quê de ler algum livro de Thomas Pynchon, eu diria que a síntese acima é perfeita. O trecho é parte da breve, mas excelente, entrevista de Paulo Henriques Britto, um dos melhores tradutores do país, ao também excelente blog “ângulo”, de Marco Polli. Faltou apenas dizer quando sai “Against the Day”. A entrevista completa pode ser lida aqui.


Literatura Vende? Pergunte ao Chico Buarque

Categoria: Notícias & Links

Segundo o Twitter da Flip 2009, o livro “Leite derramado”, de Chico Buarque, vendeu 70 mil cópias na 1ª impressão, 20 mil na 2ª impressão e a Companhia das Letras já prepara a 3ª impressão com mais 20 mil. Para o mercado brasileiro, isso quer dizer que o Chico Buarque é uma mina de ouro.

Por falar nisso, já conhecem o Twitter do Odisséia Literária?


W. G. Sebald e seus Recursos Literários – Parte 1

Categoria: Especiais

Não é incomum pessoas que costumam conversar sobre suas leituras se surpreenderem ao escutar uma opinião contrária à sua em relação a um romance que tenha gostado muito e, como acontece em muitos casos, começarem a desfilar seus pontos de vista com o objetivo de convencerem o pobre sujeito de que, sendo inegavelmente excelente a tal obra, aquela opinião somente pode ser resultado de um equívoco em razão de uma falta de percepção das evidentes qualidades literárias existentes ali. Fui vítima muitas vezes desse tipo de situação e sei quão constrangedor pode ser ouvir todo um discurso em favor daquilo que para você é algo apenas dispensável, por isso gostaria de deixar claro que o objetivo dessa longa exposição das qualidades que vejo na obra de W. G. Sebald não se trata disso e sim exatamente o contrário, uma tentativa de compreensão do ponto de vista oposto ao meu e uma demonstração (paradoxal, eu diria) de que a apreciação das características do seu texto pode surgir justamente pelos motivos evidentes de sua rejeição por parte de alguns leitores. Quer dizer, uma vez que se percebe e compreende os recursos literários do escritor em conduzir o leitor por sua obra, recursos que muitas vezes causam um estranhamento, pode surgir um prazer inigualável de leitura.

Imagens e texto

O mais freqüente recurso citado por quem leu algum livro de W. G. Sebald é a coordenação entre imagens e o texto. Muitos, apesar de perceberem que se trata de um recurso literário, não conseguem medir o tamanho do impacto que tal utilização causa no leitor e esse é também o primeiro motivo evidente de alguns não gostarem de seus livros. O ponto é que inevitavelmente Sebald quer interromper o leitor. Note que normalmente a técnica literária num romance conduz o leitor para uma aceleração no ritmo e fluxo do texto ou para uma desaceleração, através de uma série de meios, como frases curtas ou longas descrições, aceleração do tempo cronológico na narrativa, enumerações ou a inversão da ordem do sujeito numa frase. O recurso mais próximo disso seria a interrupção da leitura por meio da ordenação do texto em capítulos ou seções. No entanto, percebam que mesmo este é bem distante de intercalar imagens às frases. Isso porque num capítulo ou numa seção o escritor determinou previamente tudo aquilo que está contido em seu interior, o que quer dizer que, a menos que haja uma interrupção arbitrária do leitor por motivos que escapam à análise da composição literária, o leitor irá ler aquela unidade de texto, emoldurada num título, numa ordem numérica ou qualquer outro meio escolhido pelo autor e terá aquela unidade de texto pré-fixada como referência em relação ao próximo capítulo. Sabendo previamente onde ocorrerá a interrupção e o início de cada leitura, o autor pode mais facilmente produzir uma sensação no leitor, como ao revelar uma informação que causa uma reviravolta no enredo da narrativa ou adiar a solução de um mistério. Todo o trabalho do escritor está, portanto, determinado pela marcação do texto. No caso das obras de Sebald não há isso. Ao apresentar uma imagem em meio a um texto, o escritor nunca sabe ao certo onde o leitor interromperá a sua leitura para prestar atenção a imagem que está colocada. As margens de marcação são móveis e sua indeterminação faz com que o escritor, ao invés de produzir apenas uma sensação – surpresa no caso de uma reviravolta ou expectativa ao adiar um mistério – multiplique as possibilidades de sensações. O leitor poderá interromper imediatamente a leitura, em meio a uma frase, e se concentrar na imagem, podendo voltar um pouco o trecho lido, já que a interrupção causou também uma interrupção interpretativa da frase. Ou pode ser que ele adie a interrupção, escolhendo ler até certo trecho, causando assim uma expectativa em relação ao que será apresentado pela imagem. Talvez o leitor se irrite com a interrupção, sinta que há certa intromissão em seu prazer quando lhe é oferecida uma imagem para análise e interpretação narrativa ou mesmo se perca ao tentar retornar ao texto depois de visualizar a imagem e resolva ir em frente, saltando uma ou duas frases. Mas num bloco de texto não definido de modo algum a sensação é previamente induzida e sim sugerida, possibilitada. Como exemplo desse tipo de utilização, vejamos apenas algumas imagens que estão em duas de suas obras, Os Emigrantes e Austerlitz.

Em Os Emigrantes, já em seu final, Sebald utiliza uma foto de um modo curioso. Primeiramente ele causa certa expectativa ao escrever:

“Recordo agora, disse Aurach, que o tio Leo, que até ser despedido de seu cargo de professor de colégio ensinara latim e grego num ginásio de Würzburg, naquele tempo mostrou ao pai um recorte de jornal do ano de 33 no qual se via uma foto da queima de livros na praça do Paço em Würzburg. O tio disse que essa foto era uma falsificação.” (pág. 183)

Possivelmente, mesmo um leitor que nunca tenha lido alguma obra de Sebald, ao se deparar com o trecho acima imediatamente prevê que lhe será mostrada posteriormente uma foto e por causa da última frase – se estiver atento ao texto – interromperá sua leitura para tentar perceber em que base é possível afirmar que se trata de uma falsificação. Daí, ao virar a página e encontrar a fotografia, é como se houvesse um título “Jogo dos Erros”, daqueles que comumente vemos nas revistas de passatempos, fazendo o leitor deixar de lado o texto e deter-se na análise da imagem. Para muitos essa pausa maior na leitura incomoda, desestimulando sua continuidade. Como o autor usa esse recurso de antecipação de algum detalhe para induzir o leitor a análise diversas vezes é fácil concluir que, nesse caso, o leitor poderá se cansar.

Num outro trecho pouco antes na mesma obra (pág. 171), temos uma foto de uma criança com um lápis na mão e não é dada antecipadamente nenhuma informação ao leitor sobre sua interpretação em relação ao texto. O narrador descreve na página o personagem inclinado, sentindo uma dor insuportável causada por uma hérnia de disco e na página seguinte há a explicação:

“Além disso, recordo que, varando a dor, aquela posição torta me fez lembrar uma fotografia que meu pai tirara de mim quando estava no segundo ano da escola, em que apareço todo inclinado sobre o caderno ao escrever.”

Em meio à isso, surgem duas possibilidades: o leitor se interrogará acerca da inserção da imagem durante a leitura da página, criando assim uma expectativa de revelação de seu sentido, ou ele ignorará a imagem e, posteriormente quando o texto lhe der a informação relativa ao seu significado, ele terá uma surpresa, com o mistério sendo desvendado e podendo inclusive retornar para examinar melhor a imagem.

Nos casos acima, embora haja uma pequena variação de possibilidades de interrupção da leitura, as margens estão mais ou menos delimitadas. No entanto, no caso das reproduções de páginas de um diário (págs. 62 e 63) isso não ocorre; a mera exposição de que se trata de um diário não garante a interrupção imediata do leitor. Parece que ali há uma margem frouxa, com o autor colocando as imagens sem, no entanto, instigar tanto assim o leitor a análise de seu conteúdo.
Por último, ainda se detendo na compreensão desse aspecto das margens móveis do texto, temos uma certa evolução na utilização do recurso em Austerlitz. É significativo que logo no início da obra surjam quatro imagens, dispostas duas em cada página, onde no lado esquerdo aparecem dois pares de olhos de animais e do lado direito mais dois pares de seres humanos. As imagens aparentemente banais estão relacionadas ao texto de um modo também aparentemente banal:

“De resto, dos animais mantidos no Nocturama só me ficou na lembrança que alguns deles tinham olhos admiravelmente grandes e aquele olhar fixo e inquisitivo encontrado em certos pintores e filósofos que, por meio da pura intuição e do pensamento puro, tentam penetrar a escuridão que nos cerca.”

No entanto, ao levarmos em conta alguns aspectos – tamanho, disposição das imagens, a inclusão logo no início, onde o leitor ainda está entrando no ‘clima’ do texto -, é possível sugerir que a interrupção da leitura se dará de um modo quase imperceptível. O que temos, portanto, é uma margem apagada, um engodo que tenta fazer o leitor avançar distraído, sem notar efetivamente que foi interrompido. Muitas são as imagens no romance colocadas sem detalhes específicos a serem observados – uma mochila (pág. 44), uma imagem captada pelo telescópio Hubble (pág. 117) ou um teto (pág. 145) – e o leitor, num bom número de vezes, passa por tais imagens apressado, sem se deter muito em sua análise, despercebendo a manipulação do ritmo de leitura.


Uma Homenagem no Dia do Livro

Categoria: Notícias & Links

“Quando despertaram do sonho das hipotecas e daquele poderio econômico que criam ser eterno, quando despertaram em pleno centro do turbilhão que arrasava tudo, o livro permanecia ali. Era assombroso, nada nem ninguém havia conseguido alterá-lo. Ninguém o havia movido do lugar de sempre. Olharam incrédulos, parecia mentira. Ali estava, totalmente impertubável. Anos de barbárie não tinham podido com ele, e agora, no início daquele século que havia começado com uma grande tempestade, o livro estava ali para recordar-lhes ou simplesmente informar-lhes, se não soubessem, que a literatura fala uma linguagem distinta, não opressora, muito diferente do resto das linguagens perversas que nos escravizam com suas tiranias cotidianas: a linguagem econômica, política, religiosa, familiar, televisiva.”

Enrique Vila-Matas, numa linda homenagem no Dia do Livro. Leia o texto “El talento del lector” clicando aqui.


Disgrace, o Filme

Categoria: Notícias & Links

Saiu o trailer de Disgrace, a adaptação da obra-prima de J. M. Coetzee para o cinema (no Brasil, o título é Desonra). John Malkovich foi o escolhido para o papel do professor David Lurie.
O trailer:

Via Conversational Reading.


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