Para os candidatos ao vestibular da UFMG 2006 uma dica: acessem o site Riobaldo e Diadorim do Tristão. Tem muita coisa boa lá sobre os livros indicados e todo dia tem mais.
A Odisséia Recomenda
Ainda Sobre a Briga Google X Editoras
O Gravatá na sua coluna do jornal “O Globo”, citou a briga editoras X Google e a pergunta que fiz neste post sobre o assunto. Embora ninguém tenha se interessado (pelo menos não vi mais ninguém comentando o fato), acredito que esta será uma das mais importantes brigas entre grandes. Tal qual a briga Napster X gravadoras (e tudo o que veio depois, ou seja, a evolução da internet e o acesso à música digital), essa briga começa a mostrar um modelo falido de distribuição. O que impediria o governo de, ao invés da optar pela compra de toneladas de livros didáticos todo ano, passar a integrar as salas de aula com computadores e acessar uma parte deste material didático via web, por exemplo? A compra passaria a ser somente de materiais essenciais, enquanto materiais de referência, como dicionários, seriam utilizados através do meio eletrônico disponível. O acesso poderia ser gratuito (via Google, por exemplo) ou pago através de uma assinatura (serviço vendido através de um portal de conteúdo, por exemplo). Esta questão, embora pareça não interessar, deveria ser acompanhada de perto pelo governo, afinal tal acesso poderia representar uma economia significativa.
Fome de Literatura
Tudo o que eu tinha para falar do projeto “Temos Fome de Literatura” o Mercuccio já falou, diretamente, sem rodeios. O Brasil precisa de mais leitores, não mais projetos de governo para liberar verbas em fundos que fomentam qualquer coisa, menos literatura.
O Prêmio Nobel de Literatura é Justo? Parte III - A História (do fim da II Guerra até os nossos dias)
O post anterior analisou as primeiras quatro fases do Prêmio Nobel de Literatura, até a Segunda Guerra Mundial. A partir de 1946, o novo secretário, Anders Österling, resolveu observar o gosto popular e especialmente os autores pioneiros. Como nas ciências, os laureados, a partir de então, deveriam ser pessoas que de alguma forma contribuíram para o desenvolvimento da literatura, apresentando algo diferente do que existia até então. Através desses critérios, vieram escolhas como Hermann Hesse, que foi rejeitado nos anos trinta e fortemente criticado por Wirsén, e Samuel Beckett. Por suas atividades políticas, no entanto, Ezra Pound foi rejeitado apesar de seu pioneirismo. Apesar de não premiar Valéry (que morreu em 1945), a série de premiações desta época foi das melhores: além de Hesse, foram dados prêmios a André Gide, T.S. Eliot e William Faulkner. Ao premiar Eliot, Österling ressaltou a grande omissão da Academia por não premiar James Joyce e seu “Ulisses”, o maior pioneiro da literatura. Esta visão, apesar de perder sua força a partir de 1978, prevaleceu em escolhas de outros pioneiros como Naguib Mahfouz, responsável pela novela contemporânea do mundo árabe e Camilo José Cela, um grande inovador da ficção pós-guerra na Espanha. Ainda no campo das inovações linguisticas, em 2000, Gao Xingjian foi laureado e reconhecido como alguém que abriu novos caminhos para a literatura chinesa.
A partir de 1978, o novo secretário Lars Gyllensten e a Academia, resolveram prestar mais atenção a importantes escritores desconhecidos do público da época. A partir de então, prêmios foram dados a to Isaac Bashevis Singer, Odysseus Elytis, Elias Canetti e Jaroslav Seifert. A poesia também passou a ter grande importância e entre 1990 e 1996, onde quatro dos sete prêmios foram dados a poetas: Octavio Paz, Derek Walcott, Seamus Heaney e Wislawa Szymborska, todos anteriormente desconhecidos do público.
Por último, numa fase que prevalece até os dias atuais, a Academia tem se empenhado em premiar escritores do mundo inteiro. Certamente o desejo de Nobel era premiar qualquer um, escandinavo ou não, por seu belo trabalho na literatura. O problema para fazer uma escolha que envolvesse qualquer parte do mundo era a barreira existente por causa do idioma. Com estabelecer critérios justos para a nomeação de uma língua pouco conhecida pelos membros da Academia? O prêmio dado a Yasunari Kawabata em 1968 ressaltou as dificuldades existentes para julgamento de obras em línguas que não são faladas na Europa - o trabalho de avaliação durou sete anos e envolveu quatro especialistas internacionais. Em 1984, no entanto, Gyllensten declarou sua intenção de focar a atenção a escritores fora do eixo europeu. Wole Soyinka da Nigeria foi laureado em 1986 e Naguib Mahfouz do Egito em 1988. Daí a lista continuou com Nadine Gordimer, da África do Sul, Kenzaburo Oe, do Japão, além de Derek Walcott, Toni Morrison e Gao Xingjian. No entanto, a Academia fez questão de ressaltar que a nacionalidade do escritor não estava envolvida na questão e sim suas qualidades literárias.
O Prêmio Nobel de Literatura é Justo? Parte II - A História (do início do prêmio até a II Guerra)
A história do prêmio Nobel pode ser dividida basicamente em sete fases. Baseado nas escolhas que foram feitas, podemos evidentemente perceber quais eram as interpretações que os membros da Academia Sueca davam ao desejo de Nobel de premiar “o trabalho mais proeminente” no campo da literatura. As primeiras quatro fases são apresentadas aqui e vão do início da premiação até a Segunda Guerra Mundial, quando as escolhas tiveram que ser interrompidas.
Nas primeiras fases do Prêmio Nobel de Literatura as escolhas estavam sob a responsabilidade do secretário Carl David af Wirsén. Especificamente na primeira fase, de 1901 até 1912, escritores como Bjørnstierne Bjørnson, Rudyard Kipling e Paul Heyse, foram premiados, enquanto escritores como Leon Tostói, Henrik Ibsen e Émile Zola, foram rejeitados. Wirsén era conservador e exaltava os valores transmitidos através da igreja, do estado e da família. A direção de suas escolhas não poderia ser outra senão também conservadora.
Com o começo da Primeira Guerra Mundial, surgiu a preocupação de a Academia fazer escolhas mais neutras politicamente. Ou seja, numa Europa inflamada pelo conflito, a escolha de um autor alemão, inglês ou francês poderia repercutir politicamente e, por isso, a Academia passou a escolher escritores escandinavos, evitando assim a exaltação de quaisquer outras nações. Nesta segunda fase, a partir de 1916, os prêmios foram para o sueco Verner von Heidenstam, os dinamarqueses Karl Gjellerup e Henrik Pontoppidan - num caso raro em que o prêmio foi dividido - e o norueguês Knut Hamsun.
No terceiro período, a partir de 1920, as escolhas valorizaram autores reconhecidos por seu estilo refinado como principal característica. São desta fase as escolhas de Thomas Mann e seu “Os Buddenbrooks”, bem como também Anatole France e George Bernard Shaw.
Com a chegada dos anos trinta, a Academia passou a premiar autores que se caracterizaram por apontar em suas obras questões e preocupações universais do ser humano. Escritores como Sinclair Lewis e Pearl Buck foram premiados e poetas como Paul Valéry e Paul Claudel rejeitados. Por fim, a Segunda Guerra Mundial foi declarada e as premiações foram interrompidas.
O Prêmio Nobel de Literatura é Justo? Parte I - Como ocorre a premiação?
É comum ouvirmos pessoas afirmando que a escolha do vencedor do Prêmio Nobel de Literatura é quase sempre injusta e que na maior parte das vezes o vencedor é alguém que nada representa para a literatura. No entanto, a maioria das pessoas sequer sabe como são escolhidos os vencedores, o que torna a discussão quase sempre baseada nos ‘achismos’ e não em dados concretos. De qualquer modo, a escolha do vencedor chama a atenção dos leitores e das editoras, movimentando o mercado nacional de livros. É comum observarmos, após o anúncio do vencedor, uma correria das editoras para tentar disponibilizar ao público, o mais rápido possível, obras destes autores. Resta saber então se a leitura destas obras representa algo relevante dado a escolha e porque certos autores consagrados são completamente desconhecidos do público em geral. O primeiro post desta discussão destaca apenas dados básicos, disponíveis no site da organização, sobre a escolha do vencedor. Abaixo está um resumo do processo:
1 - Nomeação
O processo de seleção do vencedor do Prêmio Nobel de Literatura se inicia em setembro, um ano antes do anúncio do vencedor. Nesta época, a Academia Sueca em Estocolmo envia cartas a pessoas e organizações qualificadas para nomear candidatos. As nomeações chegam a Academia entre setembro e fevereiro. Os candidatos são sumarizados numa lista que contém cerca duzentos nomes.
Estão habilitados para submeter propostas ao Prêmio Nobel de Literatura:
- Membros da Academia Sueca e de outras Academias, instituições e sociedades literárias;
- Professores de literatura e linguística de universidades e colégios universitários;
- Ganhadores do Prêmio Nobel de Literatura;
- Presidentes de outras sociedades de autores que se destacam por sua produção literária em seus respectivos países;
2 - Seleção
Durante a primavera sueca, as propostas são examinadas pelo Comitê Nobel e em abril é apresentado para aprovação pela Academia uma lista preliminar de candidatos, contendo cerca de vinte nomes. Antes do recesso de verão da Academia a lista é reduzida e fica com cinco nomes. Em outubro a Academia faz sua escolha. Para que a eleição seja válida, um candidato deve obter mais de 50% dos votos.
3 - Anúncio
Depois que ocorre a votação, o vencedor é contatado e é marcada uma comitiva para a imprensa. Informações a respeito de nomeações, investigações e opiniões sobre o vencedor são mantidas em segredo por cinquenta anos.
4 - Cerimônia de Entrega do Prêmio e Anúncio Oficial
Em dezembro, o vencedor do prêmio é convidado a Estocolmo onde ele(a) participa das festividades e recebe a medalha, um diploma pessoal e o prêmio em dinheiro. Durante a cerimônia o vencedor faz um discurso.
Editoras protestam contra "biblioteca virtual" do Google
“A empresa tem o objetivo de colocar on line 15 milhões de volumes das quatro principais bibliotecas americanas –das universidades de Stanford, Michigan e Harvard, e da Biblioteca Pública de Nova York até 2015.
Também deverão ser oferecidos livros sem direitos autorais da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha.
A idéia é que pesquisadores em todo o mundo tenham acesso a milhões de textos importantes com poucos movimentos em um mouse.
Mas há entusiastas do plano. O chefe do serviço de biblioteca da Universidade de Oxford disse que o projeto pode acabar sendo quase tão importante quanto as técnicas de impressão de livros.”
Será esta a maior briga da história, pela democratização do conhecimento?
Literatura Corporativista
Não consigo imaginar outra área onde exista tanto corporativismo como na literatura. O personagem mais comum da literatura é certamente o escritor. Se a proporção de escritores da literatura fosse a mesma na vida real, pelo menos o mundo seria mais culto. Mas, em compensação, seria um saco viver. Quase que invariavelmente todo escritor é um angustiado crônico. Não existem escritores casados, pais de lindos filhos, que escrevem numa boa durante o dia e à noite saem para tomar uma cerveja num barzinho próximo de casa. O mais comum na literatura é o escritor que luta para achar algum significado na sua vida inútil, como mais pontos de interrogação em suas vidas do que um questionário para solicitar financiamento. O grande problema da literatura na minha opinião é conseguir erradicar o número de escritores-personagens dos livros. Se conseguirmos isso, possivelmente os angustiados poderão pelo menos mudar de cara. Nunca vi, por exemplo, um frentista de posto de gasolina como personagem angustiado da literatura. Acho que, pelo menos pela surpresa da proposta, valeria a pena ler o livro.
Mas não pensem vocês que somente os ‘Chico Buarques’ da vida caem em tentação, parece que a proposta de escrever sobre as angústias do escritor é o pecado mais atraente da literatura. É tão difícil resistir a ele, que todos estão sujeitos a ‘criar’ mais um clone do personagem. Querem um exemplo? J.M. Coetzee, prêmio Nobel de Literatura em 2003. O mais recente livro do autor publicado por aqui chama-se “Juventude” e tem uma proposta interessante: deformar o chamado romance de formação. Assim, ao invés observarmos ações que moldam o personagem, vemos o tempo inteiro o personagem desejando ser moldado por eventos que nunca ocorrem. Isso o autor consegue fazer muito bem, criando um livro interessante sob este aspecto. Por outro lado, para tristeza de nós leitores, advinha quem aparece para nos fazer companhia? O terrível aspirante a escritor angustiado. O livro é cheio de pontos de interrogação e mostra um personagem que tenta se libertar e escrever algo relevante. O livro já começa com o aspirante a escritor, um jovem de dezenove anos, longe da casa dos pais e trabalhando para ganhar algum dinheiro, conseguindo assim uma vida independente. Está liberto, portanto, de uma de suas amarras. Se envolve com uma linda amante mais velha e a vida com ela é um saco (não estranhem, parece que eu também já li um monte de livros assim). De tanto tédio na vida dele, ela acaba abandonando-o e ele (claro!) nem liga. Ele sai da África do Sul e vai morar em Londres, onde tem que trabalhar até tarde para poder se sustentar. Com isso, o cansaço o impede de avançar com seus planos de escrever bem e ele passa a questionar sua vida e seus objetivos. Apesar de tudo isso, o livro não é ruim, apenas é um livro comum, que não traz nada diferente à baila.
Um escritor que conseguiu um prêmio Nobel e dois Booker Prize não pode ser um escritor ruim, mas mesmo assim fico me perguntando porque alguém assim se dá ao trabalho de escrever algo que poderia ter sido escrito por qualquer outro escritor. Pessoalmente, só escreveria sobre escritores com o objetivo de parodiá-los, num livro que nunca seria levado à sério e que certamente não esperaria vê-lo em mais do que uma edição. Imaginar que um livro desses possa vingar e se tornar leitura obrigatória para várias gerações de leitoras é ter um pessimismo gigantesco. Como leitor quero ver algo novo, diferente e original. Escrever um livro que poderia ter sido escrito por qualquer um é assinar um atestado de falta de criatividade. É não crer que a literatura possa ir além disso. E como um bom otimista, creio piamente que a literatura pode ser mais do que um mero corporativismo.
O Que Há de Errado?
Bienal do Livro do Rio movimenta R$ 40 milhões em 11 dias
Projeto tenta estimular hábito da leitura em São Paulo
No Rio comemora-se uma Bienal de sucesso e em São Paulo reclama-se da falta do hábito de leitura. Isto é Brasil.
Meme "Gosto Literário se Discute"
Veio do Alex Castro. Aí estão minhas respostas:
1 - Qual o livro que você mais relê?
A Bíblia
2 - E que livro relido ficou melhor?
“Grande Sertão Veredas”, quando você já sabe que Diadorim é mulher, presta mais atenção em como Guimarães Rosa quer nos enganar o tempo todo.
3 - Dê exemplo de livros injustiçados que, apesar de muito bons, nunca foram devidamente louvados.
Não sei se dá para enquandrar assim, mas acho “Fogo Pálido” um grande injustiçado. Todo mundo aqui no Brasil conhece Nabokov por “Lolita”, quando acredito que a verdadeira obra-prima dele é “Fogo Pálido”.
4 - Cite um livro decepcionante, que frustrou suas melhores expectativas?
“Os Cus de Judas” de Antonio Lobo Antunes.
5 - E um livro surpreendente, isto é, bom e pelo qual você não dava nada?
“Pnin” do Nabokov, que é daqueles livros menores que você não consegue largar enquanto não acaba.
6 - Há cenas marcantes na boa literatura. Cite duas de sua antologia pessoal.
Sim, claro. A descrição do Sargento Getúlio, do Ubaldo, arrancando a cabeça do seu adversário é terrivelmente crua e bem escrita. A morte de Baleia em “Vidas Secas”, do Graciliano Ramos, dá um nó na garganta (digam o que disserem do livro, mas que vale a pena ler pelo menos essa parte, vale). O capítulo “Neve”, em “A Montanha Mágica” é uma aula de literatura. Droga era pra ser apenas duas e tem mais um monte para eu citar…
7 - Há personagens tão fortes na literatura que ganham vida própria. Cite os que tiveram esta força na sua imaginação de leitor?
Dom Quixote e Sancho. Os Compson de “O Som e a Fúria”. Hans Castorp, de “A Montanha Mágica”. Moses Herzog.
8 - Qual o livro bom que lhe fez mal, de tão perturbador?
“Os Ratos” de Dyonélio Machado.
9 - E qual o que lhe deu mais prazer e alegria
“O Gênio do Crime”, tenho o hábito da leitura regular até hoje e ele tem grande parte da culpa.
10 - E o que mais lhe fez pensar?
A Bíblia
11 - Cite…
a) um livro meio chato, mas bom
“Mrs. Dalloway” de Virginia Woolf.
b) um livro que você acha que deve ser muito bom mas que jamais leu
Xiii, são tantos. “O Deserto dos Tártaros” de Dino Buzzati se é pra citar apenas um.
c) um livro que não é um grande livro, apenas simpático
“Os Trabalhadores do Mar” de Victor Hugo
d) um livro difícil, mas indispensável
“Ulisses” de James Joyce
e) um livro que começa muito bem e se perde
“O Vermelho e o Negro”, de Stendhal. Mas mesmo com o final ruim, o livro é ótimo.
f) um livro que começa mal e se encontra
“Absalão, Absalão” do Faulkner.
g) um livro que valha apenas por uma cena ou por um personagem, ainda que secundário
“São Bernardo”, de Graciliano Ramos.
12 - Qual o início de livro mais arrebatador para você?
“A Hora das Estrela” de Clarice Lispector
13 - De que livro você mudaria o final? Como?
Livros possuem vida própria, tem erros e acertos e por isso não acho que seja possível mudá-lo. Mudar algum livro significaria imaginar outro livro não lido e acho isso péssimo.
14 - Que livros ficariam muitos melhores se um pedaço fosse suprimido?
A resposta acima vale também pra esta pergunta.
15 - Que livros que não têm nada a ver com você, até contrariam algumas de suas convicções e que ainda assim você considera bons ou recomendáveis?
“O Apanhador no Campo de Centeio”, que apesar de ser muito criticado, possui uma irresponsabilidade atraente, transmitida através de Holden Caulfield, que não vejo em nenhum outro livro.
16 - A literatura contemporânea é muito criticada. Cite livro (s), escrito (s) nos últimos dez anos, aqui ou no mundo, que mereça (m) a honraria de clássico (s) ou obra-prima (s).
Não arriscaria definir nenhum livro de hoje desta maneira. “Reparação” de Ian McEwan tem sido muito falado nos últimos dias, mas como ainda não li, fica aí a dúvida.
17 - Por falar em clássicos. Para que clássico brasileiro de qualquer época você escreveria um prefácio daqueles que incitam a leitura?
“A Pedra do Reino” de Ariano Suassuna.
18 - Cite um vício literário que considere abominável.
Simbolismos ridículos, como o cara ficar falando de coisas nojentas para retratar ‘nosso’ tempo.
19 - E qual a virtude que mais preza na boa literatura?
Ser um livro excelente que ninguém conseguirá imitar.
20 - De que livro você mais tirou lições para seu ofício?
Odeio tirar lições de livros.
21 - E que a frase ou verso que escolheria como epígrafe desta entrevista?
“O universo (que outros chamam a Biblioteca) compõe-se de um número indefinido, e talvez infinito, de galerias hexagonais… Como todos os homens da Biblioteca, viajei na minha juventude; peregrinei em busca de um livro, talvez do catálogo de catálogos; agora que meus olhos quase não podem decifrar o que escrevo, preparo-me para morrer…”
Jorge Luis Borges - A Biblioteca de Babel






















