Portugal Telecom – Os Dez Finalistas

Categoria: Notícias & Links


Os Lados do Círculo, de Amilcar Bettega Barbosa
Arquitetura do arco-íris, de Cíntia Moscovich


O fotógrafo, de Cristóvão Tezza


Histórias Mirabolantes de Amores Clandestinos, de Edgard Telles Ribeiro


Sob o peso das sombras, de Francisco J. C. Dantas


O silêncio do delator, de José Nêumanne Pinto


Poemas rupestres, de Manoel de Barros


Longe da Água, de Michel Laub


Vista do rio, de Rodrigo Lacerda


O falso mentiroso, de Silviano Santiago


Escritor Bernardo Carvalho é finalista do prêmio France Culture/Telerama

Categoria: Notícias & Links

O autor concorre com o excelente “Nove Noites“.

“Entre os dez finalistas, concorre outro escritor de língua portuguesa, António Lobo Antunes, português, com “Boa tarde às coisas aqui embaixo”, lançado no Brasil pela Objetiva. Entre os franceses, com o livro “Le Pays”, está Marie Darrieussecq, que veio ao Brasil este ano como convidada da Bienal do Livro.”

Notícia do jornal “O Globo”


Günter Grass escreve livro sobre seus anos de juventude

Categoria: Notícias & Links

“O prêmio Nobel de Literatura 1999, Günter Grass, trabalha em uma autobiografia que abrangerá apenas seus anos de juventude, até 1959, quando o escritor alemão ficou famoso com o romance “O Tambor”.

“Trata-se, por assim dizer, dos meus anos de juventude”, explicou Grass em Lübeck (norte da Alemanha). “Não quero escrever sobre o autor que leva meu nome a partir do momento do sucesso” alcançado em 1959, acrescentou.”

Via Folha.


Deu no New York Times

Categoria: Notícias & Links

Paulo Coelho prepara invasão aos EUA.

“I am not in the United States what I am in France or Spain or Germany,” he said in a long conversation in the all-glass dining room that reaches into the garden of his comfortable but simple home in the Pyrenees Mountains. “I have never broken the barrier of the press. In the United States, I am a great success, but I am not a celebrity.”

“I never say I am a guru,” he insisted. “That person does not exist. Readers only want to know if I have the same question as they have. But if I gave an answer, they’d soon see it was false. Many readers send me e-mails saying their lives have changed. But I didn’t change those people. Everything was ready. Perhaps the book changed them.”

Esoterismo e auto-ajuda literária para as massas. Ah! marketing, sobretudo marketing.


Boa Notícia

Categoria: Notícias & Links

No caderno ‘Idéias’ do JB a notícia de que a partir da próxima semana, Wilson Martins voltará com seus textos. Leia a entrevista que ele deu para o jornal aqui. Um trecho:

“Nesse trajeto todo, o espaço da crítica vem diminuindo e acompanhei essa espécie de depressão crítica. O crítico, costumo dizer, precisa separar o trigo do joio e não o joio do trigo. Essa no fundo é a função do crítico. Contra a idéia comum, o crítico honesto, sério, tem uma missão mais construtiva de texto. Quanto a reverter essa situação, sinceramente, tenho minhas dúvidas porque entramos numa nova civilização intelectual, na civilização da imagem. Os jornais estão hoje preferindo muito mais a imagem sobre o texto, quando a crítica realmente exige a predominância do texto sobre a imagem. Tanto que caiu na moda ilustrar o artigo. Essa civilização da imagem, imposta antes de mais nada pela televisão, informática, está aí para ficar. Por isso a crítica diminuiu de tamanho e foi substituída pelas resenhas, muitas superficiais, em tom agradável. Há também a idéia de dar sempre o lançamento. Os jornais recebem releases das editoras e algumas resenhas reproduzem o que vem pronto.”

“O que está acontecendo é o seguinte: o leitor não é mais provocado para refletir. O crítico literário escrevia contra uma obra ou contra um autor e movimentava um grupo de leitores contrários ao crítico ou ao autor. Isso estimulava a reflexão crítica. A resenha é puramente informativa, não provoca pensamento mais profundo.”

Enquanto isso, o ‘Prosa & Verso’ do jornal ‘O Globo’ está dando um sono…


O Literatura Urgente e o Falso Moralismo

Categoria: Pontos de Vista

Antes de mais nada gostaria de dizer que sou contra o Movimento Literatura Urgente. Sou contra principalmente por duas razões: acho que as propostas do movimento serão ineficazes para o desenvolvimento da literatura e também acho que o problema educacional no Brasil é muito maior do que a falta de acesso dos leitores a escritores. No entanto, a simplificação da questão por parte dos que são contra o projeto, tem me irritado bastante. O problema todo para a maioria dos que discutiram o assunto é o dinheiro público. Reduzem a discussão com a afirmação maniqueísta de que os escritores que assinaram o projeto são um bando de sanguessugas que querem viver de brisa pondo dinheiro público no bolso. Ninguém sequer parou para pensar que assinar um projeto não dá automaticamente o direito do assinante receber qualquer ajuda do governo. O escritor pode até mesmo não pedi-la, embora aprove a iniciativa. E mesmo que peça, critérios que o governo julgar adequados podem classificar o solicitante inapto a receber qualquer subsídio.

O caso mais engraçado da história toda foi uma matéria da revista Veja, onde o repórter Jerônimo Teixeira ataca a iniciativa partindo da simplificação rasteira da questão, dando a entender que dinheiro público não pode ser usado para bancar escritores. Para os que se indignaram ao acreditar na matéria da revista um aviso: dinheiro público pode sim ser dado a qualquer pessoa, inclusive escritores. A pessoa que solicita o subsídio deve provar que aquele dinheiro vai, de algum modo, ser convertido em um benefício público. É dessa forma que, por exemplo, o grupo Abril recebe muito dinheiro público. Como o projeto ainda não foi sequer aprovado, uma crítica tão simplista ao projeto apenas serve para que seus autores sequer tenham a oportunidade de apresentar suas razões e motivações.

O último capítulo do caso foi um grande mal entendido entre a escritora Elvira Vigna e Ademir Assunção, um dos autores do projeto. Tudo começou com um e-mail da filha da escritora Carol Vigna-Marú, que denunciava o uso indevido do nome da escritora numa carta contra a revista Veja. O caso foi divulgado no blog da Cora, que infelizmente ao divulgar o caso, caiu na mesma armadilha da simplificação rasteira ‘turma de escritores que anda por aí querendo subvenção do governo para passear e para custear o seu ócio supostamente criativo’. O assunto rendeu, fazendo com que o Ademir Assunção se manifestasse a respeito em seu blog, divulgando inclusive o e-mail de resposta da escritora. Com isso, a Cora fez outro post resumindo o assunto e se desculpando. Mas o que mais me impressionou foi a rapidez de se atribuir más motivações ao responsável pelo projeto. Não conheço o Ademir Assunção, nem a escritora Elvira Vigna, mas não consigo imaginar por que afinal a escritora não contatou o Ademir antes de emitir uma opinião tão forte sobre o assunto? Se o convite foi feito por e-mail, por que não podia ela novamente encaminhar um e-mail pedindo esclarecimentos ou simplesmente dizendo que sua assinatura não deveria constar na proposta?

Enfim, para finalizar, gostaria de propor que vissem o Literatura Urgente de outro modo, que pode parecer um modo de visão ingênuo, mas que reflete meu ponto de vista: imaginemos que os autores têm boas motivações. Daí aqueles que acham importante desenvolver a literatura neste país podem fazer algo, ou seja, opinar a respeito, criticando ou validando as idéias do projeto e não seus autores. Quem sabe através do amplo debate, não surjam novas idéias, bem motivadas, que, se aplicadas, promovam o desenvolvimento cultural deste país?


Um Livro Vindo do Laboratório Literário

Categoria: Resenhas

A algum tempo atrás, defendi a leitura da literatura brasileira contemporânea. Ultimamente, tenho usado meu tempo para ler uma série de escritores brasileiros contemporâneos e tenho gostado de descobrir alguns autores talentosos. No entanto, a constatação clara é que apesar da qualidade de alguns escritores, anda faltando livros experimentais. Um bom autor contemporâneo é sempre aquele autor certinho, com personagens bem desenvolvidos, com um enredo fechadinho, com tudo aquilo que estamos acostumados a ver e apreciar, mas que daqui a dois ou três anos não fará muita diferença para nós, as emoções que o livro causou já estarão esquecidas. Hoje em dia não abrimos um livro com cara de laboratório: com experimentos no enredo ou nos personagens, com uma estrutura diferente ou algo que faça ampliar nossa visão de literatura. Grande parte do vemos são livros comuns. A falta de autores que ousam por apresentarem obras diferentes do que é a moda parece ter uma grande razão aparente: apresentar algo bastante diferente do que é comum, geralmente causa estranheza. Por este motivo achei muito bom a leitura de “O Livro de Zenóbia”, de Maria Esther Maciel. Ao invés de elogiá-lo como um livro bom, elogio-o dizendo que é um livro estranho.

Maria Esther Maciel é professora universitária, especializada nas obras de Octávio Paz e do cineasta britânico Peter Greenaway. Seu livro “A Memória das Coisas” está entre os dez finalistas do prêmio Jabuti deste ano na categoria Teoria e Crítica literária. Por estas ligações ao meio universitário e ao lado teórico da literatura, é natural imaginar que “O Livro de Zenóbia” tem aquela cara de jaleco branco/tubo de ensaio/microscópio, ou seja, um livro que parece ser um experimento. O livro fala de uma personagem do interior de Minas Gerais, a Zenóbia do título. Mas não existe ali uma linguagem rural e sim uma linguagem bem trabalhada, ‘intelectualizada’. O confronto entre os dois produz uma sensação de estranheza: numa página lemos a receita de um delicioso prato (nada poderia ser tão ‘dona-de-casa’), noutra a personagem batiza o gato de Finnegans (numa referência à obra-prima de James Joyce, algo bem intelectual). A união entre o rural e o intelectual faz emergir uma obra que se aproxima da poesia, apesar de ser prosa.

Como todo livro experimental, existem também pontos fracos observáveis na obra de Maria Esther Maciel. O maior deles é sua falta de ritmo. Por sua linguagem trabalhada e pelas partes serem sempre breves, temos a sensação de que o livro não é contínuo. Parece até uma película de cinema que não está sendo reproduzida pelo projetor: vemos somente os quadros, não o filme. Esta união de quadros faz criar a imagem da personagem, mas uma imagem fosca. Talvez esta sensação pode ser em razão do livro ser apenas um livro da personagem, escrito em primeira pessoa, onde há a falta de personagens externos que ajudem a delinear seu perfil. Outro problema nada tem a ver com a autora e sim a editora Lamparina: o preço. Um livro com pouco mais de 150 páginas, sendo metade delas ilustrações, custando quase R$ 30,00, não me atraiu. Preferi recorrer à biblioteca.

De qualquer modo, observar que há uma obra com esse tom de realização de algo diferente, fora do modelo adotado, é algo bastante positivo. O romance prova que a autora tem bastante talento e que podemos esperar uma literatura um pouco mais fora de um padrão específico. Tanto é assim que o livro está na primeira lista para o prêmio Portugal Telecom. Ou seja, mesmo que não seja escolhido vencedor, vemos uma promessa boa para a nova literatura nacional.


Nêumanne é premiado por "O Silêncio do Delator"

Categoria: Notícias & Links

O escritor e editorialista do Jornal da Tarde receberá o prêmio José Ermínio de Moraes, na Academia Brasileira de Letras. Escolhido por unanimidade, ele receberá R$ 75 mil do Grupo Votorantim. O livro de Nêumanne está também na primeira lista para concorrer ao prêmio Portugal Telecom. E para quem quiser, está em promoção no Submarino, saindo por uma pechincha. A notícia é do Estadão.


Artesanato das Palavras

Categoria: Resenhas

Ao acabar de ler qualquer livro imagino o trabalho que deve ter dado para seu autor. Em alguns casos, fica aquela sensação de que o livro lido foi um livro ‘fácil’ de ser feito. Duvido muito que qualquer livro de qualidade publicado seja realmente um livro fácil de ser feito. Em muitos casos, como por exemplo Marcel Proust e Robert Musil, uma obra consumiu a vida inteira do autor. No caso de Musil e seu “O Homem Sem Qualidades”, nem uma vida inteira foi o bastante para que este pudesse ser terminado. Mas é inevitável, alguns livros simplesmente possuem gosto de livro ‘fácil’. Às vezes nem é a obra em si, mas somente alguns trechos que lemos e temos a sensação de que o autor se encheu de tudo aquilo e resolveu levá-la ao prelo do jeito que estava mesmo, sem dar muita importância às imperfeições claras. Num contraste, outras obras parece terem sido escritas por verdadeiros artesãos, perfeccionistas que nunca se cansavam de examinar cada detalhe de seu texto. E ao final, aparece uma obra que possui algo que os críticos costumam chamar de ‘unidade’, ou seja, todas as peças da composição se encaixam perfeitamente.

Osman Lins parece ser um desses perfeccionistas. Em duas de suas obras a sensação é de labuta para construção de textos com ‘unidade’: “Nove, Novena” e “Avalovara”. Em “Nove, Novena”, o destaque é o conto (ou seria uma novela?) “Retábulo de Santa Joana Carolina”. O que se vê ali é um autor com uma obsessão em mente: eternizar sua personagem. Joana Carolina, personagem principal da história, é uma mulher que vive em condições precárias no interior do Nordeste. O tema em si não parece ser promissor para que o escritor tenha êxito em sua tarefa, afinal de contas, num país tão acostumado à pobreza, uma personagem com tais características poderia ser simplesmente mais uma personagem de um livro de Graciliano Ramos. No entanto, se o tema da história se aproxima dos livros regionalistas, a forma como o texto é montado nem de longe lembra-os. Em primeiro lugar a humilde Joana Carolina já no título é enaltecida como Santa Joana Carolina. O elemento religioso, portanto, é inserido para desde o início apontar a eternidade pretendida. O texto é dividido também em doze ‘mistérios’, onde em cada um há uma ‘introdução’, aparentemente sem nenhuma relação com o texto que se seguirá. Em cada parte, vemos elementos simbólicos que são misturados ao texto e que contribuirão para a eternização da personagem. Por exemplo, cada uma das partes remete a um signo zodíaco. Também existem sinais gráficos dentro do texto que têm um significado essencial – por exemplo, numa parte um círculo é utilizado para introduzir uma fala masculina, o triângulo, para a feminina e os dois juntos para se referir aos dois. Quanto às introduções, são brincadeiras com as palavras – e que há de mais apropriado para eternizar do que as palavras?

O resultado de tudo isso é ótimo, mas o que mais chama a atenção é o trabalho que o escritor parece ter tido. Principalmente, se o leitor prestar atenção apenas na ‘estética’ do texto, parece que houve um esforço para recriar a maneira de contar uma história. O que vemos no texto de Osman Lins é uma estrutura cuidadosa, montada dum modo que valoriza não somente o conteúdo do texto, mas a própria palavra. Para os leitores que valorizam a inventividade, Osman Lins é um prato cheio.

Em alguns casos, a literatura pode ser uma via de mão única. A literatura que o escritor faz nem sempre se aproxima da literatura que o leitor interpreta. O cuidadoso trabalho que observamos no texto de Osman Lins mostra que, antes de tudo, ele se preocupava em produzir uma literatura de mão dupla. O trabalho do escritor e o esforço de que nenhum leitor, por mais desatento, pudesse passar por seus textos sem sentir nada. Obviamente, escrever privilegiando esta característica, produz a sensação de que, como leitores, fomos levados em conta pelo escritor. E como leitores, agradecemos por esta preocupação.


Das cinzas à memória

Categoria: Notícias & Links

No caderno Prosa & Verso do jornal “O Globo”, uma entrevista com Milton Hatoum. Clique aqui para lê-la.

Uma outra, do caderno de Idéias do “Jornal do Brasil”, pode ser lida aqui.


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