Este foi um bom ano para a literatura no Brasil. As traduções parecem melhorar cada vez mais e também livros lançados no mundo inteiro estão chegando mais rápido por aqui. A globalização tem feito com que as principais editoras investam cada vez mais em novos títulos e traduções. Os relançamentos também tiveram grande destaque por aqui durante todo o ano. Quanto a literatura brasileira, apesar de sempre ouvirmos o lamento da falta de esperança, ainda assim não pára de produzir boas obras. Embora nenhum livro especificamente possa ser encarado como uma obra-prima, alguns bons livros apareceram. Eis abaixo alguns destaques do ano:
Traduções
Chegou por aqui em 2005 “Memórias de Minhas Putas Tristes”, o novo livro de Gabriel García Márquez. Além dele, outros autores famosos apareceram com novas obras, como Philip Roth e Ian McEwan. Outro destaque foi o lançamento mundial do novo livro de Salman Rushdie, “Shalimar, O Equilibrista” aqui no Brasil, durante a Feira de Parati – provando que o mercado de livros no Brasil está evoluindo rápido.
Relançamentos
Livros que estavam fora de catálogo a um bom tempo voltaram a aparecer. Os destaques foram “Plexus” de Henry Miller, “Esperando Godot” de Samuel Beckett e “Uma Passagem Para Índia” de E. M. Foster. A editora “Companhia das Letras” começou a produzir livros de bolso e, dentre outros, pôs nas prateleiras das livrarias o clássico “Declínio e Queda do Império Romano” de Edward Gibbon. Também merece destaque os diversos relançamentos com novas traduções: “Ulisses” pela editora “Objetiva”, “O Livro das Mil e Uma Noites” pela editora “Globo” e “Anna Kariênina” pela “Cosac & Naify”. As comemorações do centenário de Erico Veríssimo e dos quatrocentos anos de “Dom Quixote” fizeram com que as editoras disponibilizassem outras reedições de grande qualidade.
Literatura Brasileira
A literatura brasileira foi notícia no mundo inteiro com o lançamento de “O Zahir” de Paulo Coelho, que se tornou best-seller fácil, fácil. Alguns bons títulos apareceram como “Cinzas do Norte” de Milton Hatoum e “O Falso Mentiroso” de Silviano Santiago. Destaque também para “Os Lados do Círculo” de Amílcar Bettega Barbosa, que ganhou o prêmio Portugal Telecom.
Leituras Pessoais
Foram tantas e sinceramente não acredito poder listá-las por ordem de importância, posso somente dizer o que foi destaque: descobri que Faulkner é realmente um dos melhores escritores de todos os tempos ao ler “Luz em Agosto”, agucei minha curiosidade de ler um pouco mais da obra de Hermann Melville quando conheci “Bartleby – O Escrivão”, Nabokov provou ser um escritor fantástico mesmo nos seus livros menores como “Pnin” e “Machenka”, Thomas Pynchon em “O Leilão do Lote 49″ também provou ser um grande escritor e pude conhecer mais da literatura brasileira lendo diversos autores como Moacyr Scliar (que pude ver palestrar no Salão do Livro), Sérgio Sant’Anna, Milton Hatoum, Osman Lins e vários outros. Sem falar nos blogs de escritores, que apresentam maior qualidade a cada dia – uma vitrine deles pode ser encontrada no e-néditos.
Destaque
A editora “Barracuda” foi o destaque, firmando-se como uma editora de grande bom gosto e ousadia. Dos seis títulos que dela, não posso dizer que algum me trouxe qualquer arrependimento. Todos são ótimos – duvido que você entre no site e não encontre nenhum livro que queira comprar. Para quem não sabe, a “Barracuda” é a responsável por um dos projetos mais ousados do mercado editorial brasileiro: transformou alguns posts do portal de blogs Wunderblogs em livro – e num formato lindo e original. Numa época em que escritores talentosos, que divulgam seu trabalho através de blogs, ainda não receberam grande atenção, isto mostra, no mínimo, que a editora está atenta e prepara-se para ocupar espaço junto às maiores do país. Por falar nisso, já estou lendo seu mais novo lançamento, a antologia temática de prosa brasileira chamada “A Visita”. Além de Michel Laub e Fausto Fawcett, o livro possui textos de Fábio Danesi Rossi e Alexandre Soares Silva, autores conhecidos na blogosfera.





















Vou ficar de olho na Barracuda. Valeu a dica
Eu havia lido há muitos anos atrás uma outra tradução dessa novela de Melville, “Prefiro Não Fazer”. Gostei muito.
E agora vai ser 2006-uma odisseia literaria ou 2005 uma odisseia literaria o ano q não acabou?
A Barracuda é um show Claire, você, como grande leitora que é, certamente irá encontrar bons livros lá.
Bom Lia, o ano acabou mas acho que tudo irá continuar como é. Odisséia 2005, com mudanças no layout e (espero!) bons textos.
Pessoalmente, achei “Memórias de Minhas Putas Tristes” patético! Vejo toda a crítica elogiá-lo pura e simplesmente por tratar-se de um Gabriel Garcia Marquez. Se fosse escrito por um autor desconhecido, não dariam a mínima…
A reedição de “Esperando Godot” pela Cosac Naify foi um belíssimo presente em 2005, só não superando a edição soberba de “Baterbly, O Escrivão”!
Completando o post acima, ao lado da reedição de “Baterbly”, a Cosac também retraduziu (direto do russo) “Anna Kariênina”! Como é que pude me esquecer disso?
P.S.: As retraduções de Dostoievski diretamente do russo, pela Editora 34, também é um projeto que vem me enchendo os olhos há anos!