“Folha – Em seus ensaios, você reflete muito sobre a literatura argentina, sobretudo sobre o século 19. Qual o legado daquele período à literatura argentina e internacional?
Piglia – O século 19 foi o século das grandes utopias, enquanto o século 20 tratou de convertê-las em realidade. E ainda estamos pagando as conseqüências. No que diz respeito à literatura, o século 19 é o século do romance, grandes artistas como Dickens ou Tolstói, foram escritores muito populares. Depois o romance como gênero perdeu seu público e o relato social migrou para o cinema. Não foi, como se costuma dizer, pelo fato de os romancistas começarem a escrever romances experimentais que o romance perdeu seu público. Mas, justamente porque o romance perdeu seu público, é que foram possíveis obras como as de Joyce, Kafka ou Proust. De todos os modos, sempre temos a nostalgia dessa época em que grandes livros eram lidos por todos os lados.”
Entrevista de Ricardo Piglia na Folha, que confirma sua aparição por aqui em agosto na FLIP. Não gosto desses eventos, mas taí um escritor que gostaria de ver. Clique aqui para ler a entrevista completa.
“Em www.google.com/shakespeare , os leitores poderão inserir frases como “ser ou não ser” e ter acesso à obra de “Hamlet”, por exemplo. A página também oferece textos de especialistas, grupos de internet e vídeos de representações das peças de Shakespeare.”
Notícia do jornal “O Globo”.
Gostaria de agradecer a todos que participaram do Bloom-BlogsDay. Foi realmente ótimo. Tantos textos, tantos comentários, tanta gente falando de literatura. Ótimo.
Capítulo 17 – Ítaca
Duas da manhã e os dois personagens chegam a casa em 7 Eccles. O lar é o símbolo perfeito para a Ítaca de Homero. Eles perderam a chave da casa e, como não querem acordar Molly, pulam a grade e entram pelos fundos. Bloom convida Stephen a morar com eles, mas ele recusa. Depois vão até o jardim onde urinam juntos. O texto é um dos mais divertidos do livro, onde a narrativa é em forma de perguntas e respostas. O contraste entre Bloom e o herói Odisseu é evidente: enquanto Bloom aceita a traição de Molly, Odisseu quer eliminar todos aqueles que tentaram conquistar Penélope.
Capítulo 18 – Penélope
Talvez o capítulo mais famoso da obra, o monólogo interior de Molly. O episódio é um longo texto sem pontuação, fragmentado, intemporal, pensamentos que se ligam através de associações. As oito frases começam e terminam com “yes”. Molly está na cama, meio dormindo, e rememora uma série de acontecimentos, terminando na lembrança da primeira vez em que ela e Bloom fizeram amor. E assim termina esta longa Odisséia, deixando o leitor com a sensação de infinito, se o pudéssemos sentir.
Capítulo 16 – Eumeu
Uma da manhã e Stephen e Bloom vão até um abrigo de cocheiros. Na Odisséia, o herói Odisseu se encontra com o fiel e hospitaleiro Eumeu depois que ele retorna à Ítaca. Depois Odisseu irá encontrar Penélope. Em “Ulisses” também Bloom, durante a parada, conversa com o marinheiro W. B. Murphy. No fim do capítulo Bloom diz sobre Stephen: “His initial impression was that he was a bit standoffish or not over effusive but it grew on him someway”, ou segundo a tradução de Houaiss: “Sua impressão inicial era que ele era um tico arredio ou não sobrefusivo mas isso crescia-o no seu conceito de certo modo.” (página 788). E é isso que sentimos agora também. Stephen é um personagem que começa um pouco desinterressante, um pouco arredio, mas ‘cresce’ durante a narrativa. Um encontro simbólico entre pai e filho.
Capítulo 15: Circe
É meia-noite no bordel de Bella Cohen. Stephen está bêbado. No episódio da Odisséia Circe transforma os homens de Odisseu em porcos. Em “Ulisses”, Bella Cohen representa Circe e, diferente da Odisséia, Bloom se transforma, por assim dizer, ao começar a ter alucinações. No fim do capítulo Stephen bêbado apanha de soldados. A polícia chega, mas Bloom contorna a situação.
Capítulo 14: Gado do Sol
Para mim, o episódio mais complexo do romance. São dez da noite e estamos na National Maternity Hospital de Dublin. Praticamente não há ação física. Stephen está bêbado e devemos ter isso em mente ao ler o capítulo, por isso o fluxo de consciência é ainda mais complexo. Também Joyce escreve aqui misturando várias vozes que correspondem aos nove meses de gravidez. A linguagem vai do inglês primitivo ao moderno.
Capítulo 13: Nausícaa
Às oito da noite a ação acontecerá novamente em Sandymount Strand. Vimos Stephen passar por aqui no capítulo Proteu, lembram-se? Agora quem está aqui é Bloom que vê Gerty MacDowell. Gerty pensa num romance do passado, vê Bloom de longe e tem uma fantasia romântica com ele. Depois de uma queima de fogos, ela vai embora, mas antes se insinua levemente para Bloom. Depois, Bloom percebe que ela é manca. Gerty neste episódio representa Nausícaa da Odisséia.
Capítulo 12: O Ciclope
São cinco da tarde, Bloom agora está no bar Barney Kiernan e se encontra com Martin Cunningham. Um mal entendido entre Bloom e um homem, um nacionalista, no bar quase cria uma briga. O episódio acaba com Bloom fugindo do homem. No paralelo com a Odisséia, o homem do bar é o ciclope, vendo todos os eventos por um único ponto de vista.
O Sérgio Barcellos Ximenes durante um bom tempo escreveu no Blog do Romance, um site já extinto, que ficou bastante conhecido pelas análises cuidadosas que fazia de uma série de obras. Seu ponto de vista foi sempre o mesmo: de um leitor. Hoje ele publica textos no site Roteiro Romanceado, um site que merece visitas (clique aqui para acessá-lo). Numa ocasião, o Sérgio escreveu dois excelentes textos criticando todo o ‘oba-oba’ em torno da obra. Entrei em contato com ele, que me enviou os textos, e publico-os abaixo para vocês aproveitarem. São longos, mas vale muito a pena.