A editora Globo começou a relançar uma das maiores obras de ficção do século XX, “Em Busca do Tempo Perdido” de Marcel Proust. Na capa dessa edição está estampada a audaciosa frase “Proust Definitivo”. Audaciosa principalmente porque não se trata de uma nova tradução, mas sim das traduções já clássicas de autores como Mario Quintana, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade. Audaciosa também porque a pouco tempo a Ediouro lançou uma caixa belíssima com todos os sete tomos, divididos em três volumes, com uma excelente tradução de Fernando Py. Mas, apesar disso tudo, o termo “definitivo” realmente se justifica.
Em primeiro lugar, o formato dessa nova edição é melhor que a edição anterior da Globo. O tamanho do livro é maior e a diagramação facilita a leitura. No segundo volume, “À Sombra das Raparigas em Flor” onde os parágrafos são maiores e há longas descrições do passeio à Balbec, a diagramação torna a leitura ainda mais prazerosa. Quanto às capas, considero apenas corretas – Visualmente não chamou muito a minha atenção e pessoalmente, não gosto dessas orelhas maiores, embora isso esteja virando um padrão das edições de melhor qualidade gráfica.
Mas o que mais contribui para que o termo “definitivo” seja apropriado é, sem dúvida, o que o leitor encontra no interior da nova edição. A primeira coisa que fiz quando apanhei o volume foi folheá-lo lendo somente as notas existentes. Para quem já leu a obra, as notas dão um sabor especial, fazendo-nos reparar em detalhes que não tínhamos prestado muita atenção. No início do primeiro volume, “No Caminho de Swann”, existe também uma cronologia, que recria uma ‘época proustiana’ e que serve para preparar o leitor para o excelente texto que virá – preparação esta que inclui ainda os prefácios. E para terminar, os posfácios maravilhosos. O do segundo volume, de Rolf Renner, é esclarecedor ao falar de como Proust mescla comentários de diversas formas de arte – além da literatura, a música, a pintura e a escultura – em suas obras.
Por último, os dois volumes lançados até agora têm um preço muito atrativo, cerca de R$ 40 cada um. Somente “À Sombra das Raparigas em Flor” possui mais de 650 páginas e, numa comparação de preços com outras obras de outras editoras que possuem o mesmo número de páginas, o volume ganha disparado. Pelo visto, ler a nova edição de Proust tem tudo para encabeçar a lista de promessas para o próximo ano.





















Proust é um deslumbre mesmo. Li apenas os dois primeiros e espero iniciar o terceiro da série em breve.
Você tocou em um ponto correto. A diagramação – sempre importante – torna-se fundamental no caso de obras com as mesmas características das de Proust, caudalosas, reflexivas.
Me pego pensando: tanta coisa ainda por ler, e de tempos em tempos surgem relançamentos com atrativos irresistíveis, atraindo-nos para mais uma releitura, e os inéditos que aguardem um pouco mais. É o caso do “Ulysses” com a nova tradução e o desse fundamental “Em Busca do Tempo Perdido”.
Um abraço.
Por coincidência estou relendo o meu (os meus?) da edição anterior. Apesar da falta dos pequenos “acessórios” que acompanham a nova edição tem feito a delícia de minhas horas vagas. E estou podendo ver que leitor juvenil fui.
É Claudio, estou na mesma situação, tenho tanto para ler e acabo relendo também outro tanto. Mas, o importante é que somente releio o que realmente vale a pena.
Eu também, Leandro. Com o tempo cada vez mais curto (trabalho, filhos, etc) a disponibilidade para a leitura é cada vez menor. E com a chegada dos 40 (sem crises, felizmente) sinto a necessidade de ler aquilo que realmente me dá prazer, sem aquela obrigação de ter que terminar o livro que iniciei, mesmo não estando gostando.
Você sabe como é. Começa-se um livro, vem outro e “te chama”, aí você suspende o anterior, depois surge outro, e por aí vai…
Leandro,
recentemente eu comprei esta nova traducao de fernando “py” nao me lembro seu sobrenome. comecei a ler, mas o tamanho da letra (tipo biblia), dificultou um pouco a leitura. E depois fiquei sabendo da traducao de mario quintana e pensei fiz um mau negocio. Qual na tua opniao é a melhor traducao??
Acho que vc deveria voltar a escrever um blog… Vou te contar o meu massete contra tudo aquilo que vc alegou… Junte primeiro cerca de 50 posts, para dar uma dianteira. Só então com os 50 salvos numa pasta crie o blog. Depois, vai publicando aos poucos e não pare de escrever nunca! Bisous!
Angelo, não acho que você tenha feito um mau negócio. A caixa da Ediouro é belíssima e embora eu não fale francês para julgar a tradução, do que vi até agora parece que a tradução do Fernando Py é muito boa. As traduções da Globo são clássicas, mas é preciso lembrar que os volumes são traduzidos por diversos tradutores e a tradução da Globo é mais antiga. Por exemplo, ‘rapariga’ aqui no Brasil, adquiriu um sentido meio pejorativo. ‘Moças’ do Fernando Py, parece ser mais atualizado. Portanto, em ambas há vantagens e desvantagens. Eu estou acabando de reler o “À Sombra das Raparigas em Flor” nessa nova edição e recomendo muitíssimo, ficou ótima.
Olha Narizinho, um dos meus grandes defeitos é a indisciplina. Acho que para eu conseguir juntar 50 posts, tenho que virar outra pessoa!!!
Sou um blogueiro muito pouco ‘profissional’ e na maioria das vezes publico meus textos sem nem ao menos revisá-los. Sai do forno e já vai pra prateleira. Mas vou ver se desta vez eu cumpro minha promessa para o próximo ano e me torno uma pessoa que organiza melhor o tempo.
Aqui vão os meus 10 cents…
Andei pesquisando sobre as traduções. Parece que as traduções antigas da Globo (Quintana, Bandeira, Cecília Meirelles) não haviam passado por um processo adequado de revisão. O trabalho do Fernando Py foi bem rigoroso e durou um bom tempo (não sei se 15 ou 25 anos). Quem leu, gostou. Mas agora a dúvida deve aparecer de novo porque a Globo está relançando as traduções antigas, desta vez devidamente revisadas.
E também estou lendo Proust – apesar de ser nada recomendável lê-lo enquanto lê-se outro autor. Proust pede atenção exclusiva.