No dia 27 de agosto serão escolhidos os dez finalistas. Os pré-classificados são:
Romance brasileiro
A altura e a largura do nada, Ignácio de Loyola Brandão - Jaboticaba

Bóris e Dóris, Luiz Vilela - Record

Corpo estranho, Adriana Lunardi - Rocco

Espinosa sem saída, Luiz Alfredo Garcia-Roza - Companhia das Letras

História natural da ditadura, Teixeira Coelho - Iluminuras

Mãos de cavalo, Daniel Galera - Companhia das Letras

Mastigando humanos - Um romance psicodélico, Santiago Nazarian - Nova Fronteira

Meu marido, Livia Garcia-Roza - Record

O paraíso é bem bacana, André Sant´Anna - Companhia das Letras

O segundo tempo, Michel Laub - Companhia das Letras

Os vendilhões do templo, Moacyr Scliar - Companhia das Letras

Pelo fundo da agulha, Antônio Torres - Record

Por que sou gorda, mamãe?, Cintia Moscovich - Record

Um defeito de cor, Ana Maria Gonçalves - Record

Vista parcial da noite, Luiz Ruffato - Record
Romance português
As intermitências da morte, José Saramago - Companhia das Letras
Boa tarde às coisas aqui em baixo, António Lobo Antunes - Objetiva
Equador, Miguel Sousa Tavares - Nova Fronteira
Jerusalém, Gonçalo M. Tavares - Companhia das Letras
Sem nome, Helder Macedo - Record
Romance angolano
Bom dia camaradas, Ondjaki - Agir
O vendedor de passados, José Eduardo Agualusa - Gryphus
Romance moçambicano
O outro pé da sereia, Mia Couto - Companhia das Letras
Conto brasileiro
20 contos e uns trocados, Nei Lopes - Record
A máquina de ser, João Gilberto Noll - Nova Fronteira
Contos de Pedro, Rubens Figueiredo - Companhia das Letras
Cybersenzala, Jair Ferreira dos Santos - Brasiliense
Ela e outras mulheres, Rubem Fonseca - Companhia das Letras
Macho não ganha flor, Dalton Trevisan - Record
Modo de apanhar pássaros à mão, Maria Valéria Rezende - Objetiva
Ninguém é inocente em São Paulo, Ferrez - Objetiva
O movimento pendular, Alberto Mussa - Record
O senhor das horas, Autran Dourado - Rocco
Sonho interrompido por guilhotina, Joca Reiners Terron - Casa da Palavra
Conto português
O senhor Brecht, Gonçalo M. Tavares - Casa da Palavra
Poesia brasileira
A imitação do amanhecer, Bruno Tolentino - Editora Globo
A primeira pedra, Sérgio Nazar David - 7letras editora
Cantigas do falso Alfonso el Sábio, Affonso Ávila - Ateliê Editorial
Memórias Inventadas - A Segunda Infância, Manoel de Barros - Planeta
Meridiano celeste & bestiário, Marco Lucchesi - Record
O roubo do silêncio, Marcos Siscar - - 7letras editora
Raro mar, Armando Freitas Filho - Companhia das Letras
Crônica brasileira
A cegueira e o saber, Affonso Romano de Sant’Anna - Rocco
A gente se acostuma a tudo, João Ubaldo Ribeiro - Nova Fronteira
O amor esquece de começar, Fabrício Carpinejar - Bertrand Brasil
Biografia brasileira
Anita Malfatti no tempo e no espaço, Marta Rossetti Batista - Editora 34 / Edusp
Castro Alves, Alberto da Costa e Silva - Companhia das Letras
Nassau, Evaldo Cabral de Mello - Companhia das Letras
O banqueiro do sertão, Jorge Caldeira - Mameluco
O inimigo do rei: uma biografia de José de Alencar, Lira Neto - Editora Globo
Autobiografia portuguesa
As pequenas memórias, José Saramago - Companhia das Letras
“Morreu nesta quarta-feira, 27, vítima de falência múltipla de órgãos, o poeta e escritor Bruno Tolentino. Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo.
Tolentino é um dos dez finalistas do Prêmio Jabuti 2007, na categoria poesia, por A Imitação do Amanhecer (Globo).”
Notícia do jornal Estadão.
No blog do Bruno Garschagen muitos posts sobre o poeta.
Se você é conhecido como um leitor habitual, inevitavelmente surgirá alguém, um leitor iniciante, que lhe pedirá sugestões de leitura. O hábito da leitura faz com que a pessoa veja você como alguém apto a dar conselhos. É uma pena decepcionar a esses, mas pela minha experiência, digo que poucos são os conselhos que podem ser dados nesse sentido. Paradoxalmente, digo também que é muito importante ouvir conselhos de outros leitores. Explico: é preciso reconhecer que muitos dos que se dirigem a alguém pedindo conselhos esperam receber um roteiro bem definido, um mapa com setinhas apontando onde virar à direita ou mandando prestar atenção num ponto de referência. No entanto, o leitor é como um viajante; cada leitor possui seu próprio caminho a percorrer e o mapa que guia um leitor, pode servir apenas para afastar outro do prazer da leitura. Ligado à isso, é preciso reconhecer a individualidade de cada leitor e suas limitações. Limitações não podem ser aferidas através de unidades de medida precisas e o que há em comum entre todos os leitores são suas limitações. E são dessas lacunas que nascem excelentes pontos de vista.
Voltando à questão dos conselhos, por outro lado, é preciso reconhecer também que as opiniões de outros leitores vão se constituindo com o tempo, como um guia de viagens útil para nossas escolhas. Um guia de viagens é algo produzido para mostrar todas as possibilidades de um passeio. Obviamente, por causa do tempo ou do dinheiro, a grande maioria das pessoas simplesmente deixa de lado o que não interessa e explora somente aquilo que parece valer a pena. Um guia completo não é necessariamente um guia que contém todas as nossas escolhas, mas um guia que nos informa que passeios não devemos realizar e por quê. Escolher o que se deve ler também segue a mesma lógica. O tempo é escasso? Então rejeite aquilo que é ‘obrigatório’ mas que não lhe interessa. Através da opinião de outros, você vai saber que o tema do livro não lhe atrairá. Não se preocupe. Certamente sobrarão muitos outros ‘obrigatórios’ que nem em duas vidas você conseguirá ler. Citando Ítalo Calvino, “por maiores que possam ser as leituras de formação de um indivíduo, resta sempre um número enorme de obras que ele não leu”. Imaginar que se deve ler tudo somente porque a obra foi rotulada como uma obra clássica ou obrigatória, é desprezar seu próprio ponto de vista em favor de outros, algo que não faz o menor sentido. Vejam que é algo bem diferente um leitor rejeitar um bom livro por ignorância e outro que o faz por causa das informações que recebeu.
O que se evidencia mais cedo ou mais tarde é que certos pontos de vista se aproximam mais dos nossos que outros, sem que necessariamente possam ser classificados como ‘certos’ ou ‘errados’. Existem leitores que preferem uma literatura mais realista, outros uma prosa mais poética, ainda outros um texto mais fragmentado. E é improvável que alguém vá conseguir mostrar que há uma hierarquia de valores entre essas expressões literárias. É realmente lamentável quando escutamos alguém dizer que certo livro “é impossível não gostar” e se contrariamos sua lógica umbilical, a pessoa sai com um “é porque você não entendeu o que o autor propõe”. Sendo assim, algumas qualidades ressaltadas chamarão sua atenção, enquanto outras lhe serão completamente indiferentes. Ouvir a opinião de outros leitores servirá não para seguir os mesmos caminhos, mas para reconhecer quais são interessantes. Em muitos casos, pode ser que você descubra que há uma revolução à espera do leitor de uma obra. Mas essa é uma revolução da qual você não quer participar.
O grande problema ao se ler “Um Defeito de Cor”, de Ana Maria Gonçalves, é que tudo o que o livro tem de grandioso e sublime, é apresentado dum modo sutil, numa estrutura tradicional. Por seu enredo com personagens psicologicamente bem construídos - o texto apresentando não somente as ações, mas também o pensamento da personagem Kehinde -, por suas referências históricas que situam o leitor num tempo específico e por sua narrativa de modo linear, o leitor poderia facilmente confundir o texto com um texto novelesco. Pior ainda, alguns leitores poderiam classificar o livro como literatura feminina - feminina no pior sentido possível, aquele sentido de um texto limitado pela experiência de sua autora -, o que definitivamente o livro não é. O segredo para perceber a profundidade que o texto assume, apesar de suas características tradicionais, está no título. A expressão racista e repugnante tem um tom poético, de tal modo que quase nos esquecemos de que se trata de um termo discriminatório. Tal como o título, as questões levantadas pelo texto estão tão envolvidas pela beleza literária do texto que às vezes leva o leitor, ao fechar o livro, a pensar “como era horrível a vida de uma escrava, ainda bem não é mais assim”.
Se fosse para apontar um tema que resume a obra, o tema seria o racismo. E aqui é que entra a justificativa para a estrutura do texto. Como apresentar um tema tão complexo e contaminado por discursos panfletários dum modo atual? Escrever uma obra assim utilizando um tom moralista ou de denúncia, certamente enterrariam o romance no meio da já enorme pilha de textos sobre o assunto. Usando a literatura para exemplificar, seria como tentar reescrever um “Germinal” de Zola usando a história do Brasil, soaria algo patético. Sendo assim, o ponto de vista da personagem é, não somente o mais belo modo de fazer isso, mas é também o mais eficiente. Notamos, ao ler “Um Defeito de Cor”, que na maior parte do texto a personagem Kehinde está tentando compreender a lógica do mundo ao seu redor. E a incompreensão serve para se distanciar do tom meramente denunciatório. Um exemplo claro disso é quando sua Sinhá a batiza como cristã e recebe outro nome: sem compreender direito o que isso significa, Kehinde continua com seus costumes religiosos e sua identidade, mas se ajusta à vontade das autoridades (seu senhorio e os líderes religiosos) como modo de se adaptar as regras. Ela chega a conclusão que se adaptar às regras traz inúmeras vantagens.
A tentativa de mutilação da identidade, que é uma das piores características da escravatura, é apresentada ao leitor o tempo todo e causa um enorme incômodo ver Kehinde tendo que se adaptar às situações que lhe são impostas, de modo a ainda se reconhecer como um ser humano distinto. No início da narrativa, Kehinde tem medo de ser transportada ao outro continente por causa de lendas que ouviu de que os homens brancos a transformariam num carneiro para ser devorada. De certo modo, o que vemos nas páginas seguintes, é justamente isso: o ser humano, utilizando suas características mais repugnantes, desumanizando outro ser humano, transformando-o num animal.
Somente o fato de este ser o primeiro livro brasileiro sobre a escravidão que fala a partir do ponto de vista de uma escrava já é um sinal claro de que o tema é ainda bastante pertinente e que deveria ser melhor explorado. Como disse no início, o leitor pode fechar o livro sem se dar conta de que o livro traz à baila um assunto da atualidade. Infelizmente, ainda é regra as escolas de ensino básico e médio nas aulas de história darem a entender que o problema da escravidão no Brasil foi resolvido com uma penada da princesa Isabel. Não vemos alunos serem incentivados à reflexão das conseqüências de anos de escravidão no país e de a abolição ter ocorrido tão tardiamente.
Mas voltemos novamente a estrutura narrativa tradicional utilizada. Infelizmente, a escolha que o autor faz por certo modo de narrar faz com que muitas vezes ele seja subestimado. Foi assim com Érico Veríssimo e o fato do livro da Ana não estar relacionado na lista de melhores do ano do prêmio Jabuti faz crer que isso ocorre novamente. No entanto, a capacidade de atingir o leitor com um texto ao mesmo tempo envolvente e relevante, é que fez com que o autor seja hoje reconhecido por seu talento. Tenho certeza que o mesmo acontecerá com a Ana e seu livro. Somente uma escritora bastante talentosa consegue fazer com que um leitor, que hoje divide sua atenção também com outras mídias, se debruce sobre um texto de mais de 900 páginas e consiga avançar de maneira tão fluída, sem perder o interesse pela narrativa. “Um Defeito de Cor” tem esse poder, contrariando toda a lógica do mercado editorial atual, que costuma desconsiderar narrativas longas. Sem qualquer exagero é possível dizer que “Um Defeito de Cor” tem os requisitos necessários para entrar no cânone da literatura nacional como um clássico.
MELHOR ROMANCE
1º PELO FUNDO DA AGULHA
ANTONIO TORRES
EDITORA RECORD

2º DESENGANO
CARLOS NASCIMENTO SILVA
AGIR EDITORA LTDA

3º MÃOS DE CAVALO
DANIEL GALERA
COMPANHIA DAS LETRAS

4º VISTA PARCIAL DA NOITE
LUIZ RUFFATO
EDITORA RECORD

5º OS VENDILHÕES DO TEMPLO
MOACYR SCLIAR
COMPANHIA DAS LETRAS

6º A DÉCIMA SEGUNDA NOITE
LUIS FERNANDO VERISSIMO
OBJETIVA

7º MÚSICA PERDIDA
LUIZ ANTONIO DE ASSIS BRASIL
L&PM EDITORES

8º O SEGUNDO TEMPO
MICHEL LAUB
COMPANHIA DAS LETRAS

9º A CONFISSÃO
FLÁVIO CARNEIRO
EDITORA ROCCO LTDA

10º BÓRIS E DÓRIS
LUIZ VILELA
EDITORA RECORD
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MELHOR LIVRO DE CONTOS E CRÔNICAS

1º RESMUNGOS
FERREIRA GULLAR
IMPRENSA OFICIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO

2º CONTOS DE PEDRO
RUBENS FIGUEIREDO
COMPANHIA DAS LETRAS
3º A CASA DA MINHA VÓ E OUTROS CONTOS EXÓTICOS
ARTUR OSCAR LOPES
ARTUR OSCAR LOPES

CRÔNICAS DA PROVÍNCIA DO BRASIL
MANUEL BANDEIRA
COSAC NAIFY EDIÇÕES LTDA.

4º RREMEMBRANÇAS DA MENINA DE RUA MORTA
VALÊNCIO XAVIER
COMPANHIA DAS LETRAS

5º A COLEIRA NO PESCOÇO
MENALTON BRAFF
EDITORA BERTRAND BRASIL LTDA

6º SEM MEDO DE VOAR
PADRE BETO (ROBERTO FRANCISCO DANIEL)
AMPUB COMERCIAL LTDA.

7º O VOLUME DO SILÊNCIO
JOÃO ANZANELLO CARRASCOZA
COSAC NAIFY EDIÇÕES LTDA.

8º O SENHOR DAS HORAS
AUTRAN DOURADO
EDITORA ROCCO LTDA.

9º LOGO TU REPOUSARÁS TAMBÉM
CHARLES KIEFER
EDITORA RECORD

CARTAS DE VIAGEM E OUTRAS CRÔNICAS
CAMPOS DE CARVALHO (REPRESENTADO POR D. LIGIA ROSA DE CARVALHO)
EDITORA JOSÉ OLYMPIO LTDA.

10º ELA E OUTRAS MULHERES
RUBENS FONSECA
COMPANHIA DAS LETRAS
A lista completa pode ser acessada aqui.
Gostaria de registrar aqui meus agradecimentos a todos vocês blogueiros e internautas que participaram desse maravilhoso Bloom-BlogsDay. Pelo número de visitas desse ano, parece que esse vai se tornar um evento obrigatório de literatura pela internet. Ótimos comentários, ótimos textos, pessoas sensacionais que passaram por aqui e que deixaram seu registro de amor pela literatura. Uma paixão que merece ser disseminada. Obrigado a todos!
Um pouco atrasado, mas quem ainda não leu, vá até o blog da lulu e vejam o registro que ela fez do Bloomsday.
“Variando, otras personas se escandalizan de la brutalidad con que expreso ciertas situaciones perfectamente naturales a las relaciones entre ambos sexos. Después, estas mismas columnas de la sociedad me han hablado de James Joyce, poniendo los ojos en blanco. Ello provenía del deleite espiritual que les ocasionaba cierto personaje de Ulises, un señor que se desayuna más o menos aromáticamente aspirando con la nariz, en un inodoro, el hedor de los excrementos que ha defecado un minuto antes.
Pero James Joyce es inglés. James Joyce no ha sido traducido al castellano, y es de buen gusto llenarse la boca hablando de él. El día que James Joyce esté al alcance de todos los bolsillos, las columnas de la sociedad se inventarán un nuevo ídolo a quien no leerán sino media docena de iniciados.“
Roberto Arlt, no prólogo de Los Lanzallamas
Duas da manhã e os dois personagens chegam a casa em 7 Eccles. O lar é o símbolo perfeito para a Ítaca de Homero. Eles perderam a chave da casa e, como não querem acordar Molly, pulam a grade e entram pelos fundos. Bloom convida Stephen a morar com eles, mas ele recusa. Depois vão até o jardim onde urinam juntos. O texto é um dos mais divertidos do livro, onde a narrativa é em forma de perguntas e respostas. O contraste entre Bloom e o herói Odisseu é evidente: enquanto Bloom aceita a traição de Molly, Ulisses quer eliminar todos aqueles que tentaram conquistar Penélope.
E no final, o monólogo interior de Molly. O episódio é um longo texto sem pontuação, fragmentado, intemporal, pensamentos que se ligam através de associações. As oito frases começam e terminam com “yes”. Molly está na cama, meio dormindo, e rememora uma série de acontecimentos, terminando na lembrança da primeira vez em que ela e Bloom fizeram amor. E assim termina a Odisséia do cotidiano.
Uma da manhã e Stephen e Bloom vão até um abrigo de cocheiros. Na Odisséia, o herói Ulisses se encontra com o fiel e hospitaleiro Eumeu depois que ele retorna à Ítaca. Depois desse encontro, Ulisses irá encontrar Penélope. Em “Ulisses” também Bloom, durante a parada, conversa com o marinheiro W. B. Murphy. No fim do capítulo Bloom diz sobre Stephen: “Sua impressão inicial era que ele era um tico arredio ou não sobrefusivo mas isso crescia-o no seu conceito de certo modo.” (página 788, tradução Houaiss). E é isso que sentimos agora também. Stephen é um personagem que começa um pouco desinterressante, um pouco arredio, mas ‘cresce’ durante a narrativa. Um encontro simbólico entre pai e filho.