Fim de Férias

Categoria: Divulgação

Estarei de volta na segunda. Apesar de deixar o blog parado, o mês foi de muitas leituras excelentes e pretendo falar de cada uma delas. Os próximos dias prometem: vem aí a Copa de Literatura Brasileira! O Lucas explica direitinho como será este novo prêmio, leia aqui. Quanto a mim, tenho grande orgulho de compor o júri com tantos bons leitores. A lista dos jurados e dos livros que concorrerão ao prêmio:

Francisco José Viegas
Paulo Polzonoff
Jonas Lopes
Leandro Oliveira
Rafael Rodrigues
Bruno Garschagen
Marco Polli
Olivia Maia
Renata Miloni
Antônio Marcos Pereira
André Gazola
Eduardo Carvalho
Doutor Plausível
Jefferson

As sementes de Flowerville, de Sérgio Rodrigues
Bóris e Dóris, de Luiz Vilela
Corpo estranho, de Adriana Lunardi
Leda, de Roberto Pompeu de Toledo
Mãos de cavalo, de Daniel Galera
Memorial de Buenos Aires, de Antonio Fernando Borges
Música perdida, de Luiz Antônio de Assis Brasil
O adiantado da hora, de Carlos Heitor Cony
O movimento pendular, de Alberto Mussa
O paraíso é bem bacana, de André Sant’Anna
O que contei a Zveiter sobre sexo, de Flávio Braga
O segundo tempo, de Michel Laub
Os vendilhões do templo, de Moacyr Scliar
Pelo fundo da agulha, de Antônio Torres
Por que sou gorda, mamãe?, de Cíntia Moscovich
Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves


Texto na Revista Malagueta

Categoria: Divulgação

A convite da Renata Miloni, publiquei um texto inédito na revista eletrônica Malagueta. A revista, além de visualmente linda, traz excelentes textos para todos os gostos: contos, poemas, crônicas, artigos, resenhas e minicontos. Meu texto lá tem o título “A investigação ficcional e o leitor em sua atividade de leitura”. Examinando alguns romances cujo mote é a investigação podemos enxergar uma metáfora ao leitor em sua atividade e é disso que o texto fala. Notem que é um texto maior e com um tom diferente do usado aqui, mas creio que apesar disso não é de modo algum cansativo. Clique aqui, conheça a Malagueta e leia o meu texto.


Nova Tradução de Ulisses

Categoria: Notícias & Links

“Grande notícia para os joyceanos deste Brasil varonil: daqui a cinco anos, em 2012, a Ateliê editorial vai lançar a tradução de Ulisses feita pelo professor de lingüística histórica na Universidade Federal do Paraná e tradutor Caetano Waldrigues Galindo, segundo ele me confirmou hoje.”

Bruno Garschagen anuncia com exclusividade. Aliás, o blog dele já virou o mais favorito dos favoritos.


Morre o escritor José Agrippino de Paula

Categoria: Notícias & Links

Morreu de infarto ontem, o escritor José Agrippino de Paula, o autor de “PanAmérica”, um marco da vanguarda, e “Lugar Público”.

Leia a notícia no Estadão clicando aqui.


Literatura Independente no Brasil

Categoria: Pontos de Vista

Recentemente estive numa palestra com o escritor Marçal Aquino. Em meio as histórias básicas do escritor e seu ofício, o assunto veio à tona: dinheiro. O escritor falou o que todo mundo já sabe, que é muito difícil viver de literatura por aqui. Aliás, é quase unanimidade você ir a uma palestra e o escritor dizer que não dá para se viver de literatura nesse país. Faça a conta você mesmo: o escritor recebe 10% do preço de capa de três em três meses. Se você acompanha o mercado editorial brasileiro, você sabe que atualmente as grandes editoras estão lançando livros com preços entre 30 e 40 reais. Um autor iniciante de sucesso vende 2000 exemplares de sua obra. Não digo 2000 num mês, digo vende 2000 e pronto. Uma tiragem.

Uma outra fonte de renda seriam os prêmios literários que, novamente, aqui nesse país, são quase inexistentes. O Jabuti, o prêmio mais importante do país, até pouco tempo atrás não tinha condições de pagar a passagem para o ganhador receber o prêmio. Sobra o Portugal Telecom, que infelizmente, nesse ano, mudou as regras e os autores brasileiros concorreram com autores estrangeiros de língua portuguesa. Nesse ano, por exemplo, acho pouco provável que o primeiro vencedor seja um brasileiro.

Há alguma saída? Bolsas? Existem, mas também são poucas. A Vitae, que entre seus bolsistas estão nomes importantes da literatura nacional como Milton Hatoum, João Gilberto Noll, Bernardo Carvalho, Rubens Figueiredo, Luiz Ruffato e Michel Laub, não existe mais.

Normalmente o que ocorre é uma divisão entre atividades: paralelo à atividade literária, o escritor procura atividades que poderão render o suficiente para pagar as contas. Jornalismo é a primeira opção. Outras atividades mais próximas ao ofício também ajudam, como traduções, projetos de antologias, etc. Não muito raro também é encontrar alguns no ofício do magistério. Por último, participação em eventos e palestras. Ou seja, para que você possa ler aquele maravilhoso romance contemporâneo, o autor teve que gastar muito tempo suando a camisa em atividades que dão dinheiro. Esse é o retrato da literatura contemporânea no Brasil.

Bom, se você começou a ler esse texto com aquela idéia romântica de que o escritor que publica em uma grande editora é um escritor bem-sucedido financeiramente e agora está chocado com a realidade, uma notícia ainda pior: esses escritores representam o melhor caso. Por trás de todos esses escritores que têm seus nomes impressos ao lado do logotipo da editora dos seus sonhos, está uma fila de outros que não chegaram lá ainda. Claro que muitos desses que sonham um dia ser um escritor entrevistado pelo Jô, são péssimos, não dá para ler uma linha do que escrevem. Porém, existem muitos bons escritores que não são publicados simplesmente porque não têm um agente que faça o serviço de divulgação do livro.

Por tudo isso, a discussão sobre literatura independente no Brasil é pertinente. O Júlio Daio Borges já falou sobre o assunto e agora, por ocasião do lançamento do novo livro de Luiz Biajoni, o assunto voltou. A Olivia, que publicou por uma grande editora, começou e o próprio Biajoni completa. A lógica é simples: se o serviço de divulgação de uma editora não dá mais tanto dinheiro quanto a divulgação feita pela internet, pra quê bater na porta delas? Por que não fazer você mesmo a divulgação, vender diretamente ao leitor, saber exatamente quantos exemplares de sua obra foram vendidos, enfim, obter o controle da sua obra?

Não sou tão entusiasta ao ponto de dizer que as editoras irão acabar, assim como a indústria fonográfica, mas creio que começa a surgir uma boa opção de descentralização do poder das grandes editoras. E, com isso, uma grande mudança no modelo que conhecemos poderá ocorrer nos próximos anos. O fato de alguns escritores que começaram na internet estarem agora sendo publicados por grandes editoras somente confirma isso. O grande problema que existia antes - como imprimir de forma barata em pequenas quantidades? -, parece já ter uma solução à vista. Resta esperarmos.


A Visão Romântica do Escritor

Categoria: Notícias & Links

“Não posso deixar de pensar que há algo de muito bobinho numa sociedade que trata seus escritores como darlings midiáticos, prontos para emitir opinião a três por quatro sobre a pauta do dia. Há uma inocência ignorante e satisfeita-consigo-mesma na atitude embevecida que é usada pelos grandes veículos ao lidar com poetas e escritores, uma iconolatria que não considera os méritos das obras, como se o simples fato de ser escritor tornasse alguém um anjo iluminado portador de verdades “profundas”, o filistinismo cordial que faz pensar nas instituições estabelecidas na “sociedade de bem” que tentam assimilar o dissidente que o escritor em algum grau sempre é: Os “poetas laureados”, os fardões das academias etc. Esse é sem dúvida um dos lados do fenômeno que Adrian Leverkuhn sinalizava no “Dr. Fausto” - de que numa sociedade realmente culta não se falaria tanto em Cultura.”

Não preciso dizer mais nada, o texto do Elton é perfeito. Leia “O oba-oba enquanto instituição” clicando aqui.


Saudades Literárias

Categoria: Crônicas


1 - O Continente - Tomo 1

Quando tinha cerca de vinte anos entrei numa livraria e comprei o primeiro volume de “O Tempo e o Vento”. Não sei exatamente porque, apenas dizia a mim mesmo que precisa ler Erico Verissimo. Foram momentos grandemente prazerosos de leitura e toda vez que olho os volumes na estante, sinto uma nostalgia deliciosa. Um encaixe perfeito de bons tempos e uma maravilhosa leitura.


2 - A Montanha Mágica

Trabalhava numa cidade distante cerca de 90 Km. Durante a viagem de ida, por ter que acordar bem cedo, geralmente aproveitava o tempo para dormir. Na volta à tarde, lia um pouco e dormia quando me sentia cansado. Com Thomas Mann a minha rotina foi destruída. Lia na ida e na volta e ainda sentia vontade de continuar a leitura no fim da viagem. Ainda me lembro da tradução via Google do diálogo em francês no meio da obra (uma tradução péssima, é verdade, mas que agora parece linda). O livro teve o poder de criar milhares de sinapses na minha cabeça e sentia vontade de falar dele o tempo todo.


3 - Auto-de-fé

Prestava vestibular para o curso de Letras da UFMG e lembro-me de esperar o início das provas com Canetti nas mãos. Fiquei deslumbrado com a perfeição que é este romance. O melhor meio que encontro para classificá-lo é dizer que se trata de um conto gigantesco - pois não há nada sobrando ali, tudo é essencial. Depois que iniciei o curso o livro ficou associado em minha memória a uma vitória pessoal.


4 - O Processo

Já havia lido “A Metamorfose” de Kafka e para mim não era nada demais. Tanto falavam de Kafka que me obriguei a comprar outro livro. Da primeira a última linha o autor me hipnotizou. A mistura de racionalidade e absurdo das situações evidenciavam para mim a genialidade do autor. Depois reli “A Metamorfose” e consegui ver coisas que não via antes.


5 - Grande Sertão - Veredas

Finalizava minha primeira graduação e achava as aulas péssimas (e de fato eram). A mais interessante - embora também ruim - era de Psicologia. Dentre os materiais disponibilizados por e-mail, certa vez a professora enviou um trecho do livro de Guimarães Rosa. Lembrei-me que anterior a este trecho, uma professora de Filosofia já havia citado a obra em sala. Não me lembro exatamente que trecho era, lembro-me apenas que o que li me impressionou de tal modo que no mesmo dia apanhei um exemplar na biblioteca e comecei a leitura.


6 - Sentimento do Mundo

Recém casado, minha esposa comprou o livro pois fora escolhido para um vestibular que ela iria prestar. Drummond foi o meu primeiro contato com a literatura adulta. Não me lembro bem, mas creio que tinha uns nove anos quando fui até a biblioteca pública de minha cidade e apanhei um livro qualquer dele emprestado. Quando li novamente Drummond essas memórias retornaram e fiquei pensando no menino que fui, um menino que, contrário à lógica do país, visitava semanalmente a biblioteca pública.


7 - Desonra

O último grande livro que li, a última obra-prima. Depois dele, li muito, claro. Li livros muito bons, livros que me prenderam, mas nenhum deles produziu a certeza de que estava lendo uma obra-prima como este livro de Coetzee. Dos livros que você acaba com a certeza de que irá levá-lo para o resto da vida e que um dia certamente irá relê-lo.


Texto na Revista 3:AM

Categoria: Divulgação

Fui gentilmente convidado a publicar um texto na revista eletrônica 3:AM Magazine Brasil. A revista, editada no Reino Unido, publicou excelentes textos de vários autores como Flávio Carneiro e Fabrício Carpinejar. O texto não é inédito, mas para quem não leu clique aqui e leia “Livros Dentro de Livros”.


A Internet e a Literatura Brasileira do Século XXI

Categoria: Notícias & Links

“O leitor – mesmo o que não quiser se tornar escritor – pode acompanhar essa cena mais de perto agora. “Os sites assumiram o papel que as revistas literárias perderam”, pondera Polzonoff. E para aqueles que se preocupam com o “futuro escritor brasileiro”, Cecilia faz uma revelação. “É impossível viver de literatura no Brasil, mas é possível viver de sites literários.” Thaís Aragão cutuca a mídia. “O lado bom da internet é que você não precisa mais acompanhar pelos jornais.””

Não, a pergunta não é mais aquela surrada “Blog é literatura?” e sim “Como a internet serve de suporte para novos autores?”. Julio Daio Borges fala sobre isso no “Estadão”. Uma das matérias mais interessantes que li sobre o tema, que aponta que a internet é um caminho sem volta. Não sei, mas acho que a primeira vez que leio num jornal essa afirmativa clara de que o jornalismo cultural perdeu seu espaço para a internet. Leia o texto “Internet renova a literatura do século 21″ clicando aqui.