São eles:

Cantigas do falso Alfonso el Sábio
O júri final será composto por Cristóvão Tezza, Flora Sussekind, José Castello, Marcos Frederico Kruger, Paulo Henriques Britto e Tania Celestino de Macedo.
São eles:

Cantigas do falso Alfonso el Sábio
O júri final será composto por Cristóvão Tezza, Flora Sussekind, José Castello, Marcos Frederico Kruger, Paulo Henriques Britto e Tania Celestino de Macedo.
“O Outro Pé da Sereia”, do moçambicano Mia Couto, foi o vencedor do 5º Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura. Além do prêmio de R$ 100 mil, ele ganhou o Troféu Vasco Prado concedido pela Universidade de Passo Fundo.
Os vencedores do 10º concurso Nacional de Contos Josué Guimarães também foram revelados: em primeiro lugar ficou Lúcia Bettencourt, que ganhou o prêmio de R$ 5 mil e uma viagem para Santiago de Compostela, na Espanha, e em segundo lugar, com o prêmio de R$ 3 mil, ficou Bruno Dorigatti.
Notícia completa no site da Jornada de Literatura.
Por todo lado o que se vê é a mesma coisa: pessoas metendo o pau em escritores que optaram por escrever sobre a tal da nossa realidade urbana contemporânea. Nas universidades, na internet, nos jornais, somente as editoras parecem não se importar com nada disso e continuam publicando e vendendo autores dessa linha. A razão é óbvia: porque existe um público que gosta muito disso. Como isso pode ser tão contrastante? Quer dizer, como, apesar do que eu chamaria de publicidade intelectual negativa, pode haver consumo de tantas histórias sobre cidades e violência?
Desconfio que a razão envolve uma falta de percepção de ambos os lados. A crítica que sugere que todos os seguidores de Rubem Fonseca são ruins e os escritores desse realismo urbano que não fazem nada diferente há muito tempo. Quando observo críticos afirmarem que os leitores não se interessam por esse realismo urbano, com palavrões, sexo cru e violência, o melhor argumento que posso formular para rebater isso é dizer que um escritor como Marçal Aquino, declaradamente urbano, enche todo lugar onde vai para falar de sua literatura. Rubem Fonseca, se viajasse pelo país dando palestras, certamente também lotaria. Há um público fiel ao gênero e motivos não faltam para isso. O caos e a violência urbana fazem parte do cotidiano de boa parte dos leitores desse tipo de literatura. Então, o que eles buscam, é justamente uma literatura com que se identifiquem.
O que ocorre, no entanto, é que um bom livro tem de se apresentar como literatura. Se lemos um livro e o texto é quase um roteiro de cinema, então digo que é um livro ruim, pelo simples fato de ele pode ser substituído pelo cinema, pela televisão ou pelo teatro, por exemplo. O que quero dizer é que para haver boa literatura é preciso que algum diretor de cinema, teatro ou televisão tenha dificuldades em adaptar a obra para outro meio, é preciso que ele reconheça que há um vínculo entre o texto e a arte literária. Ao ponto de o espectador, após assistir a adaptação, reconhecer que algo foi perdido, por melhor que seja o filme, o seriado da TV ou a peça. Não digo cortar cenas para diminuir o tamanho do filme, como por exemplo na série “O Senhor dos Anéis”, e sim cortar elementos literários por serem impossíveis de reprodução em outro tipo de arte. Sem essa prerrogativa básica, a literatura torna-se dispensável, apenas um canal que o artista preferiu para passar sua mensagem. O que leva à conclusão que a forma deve estar intimamente relacionada ao conteúdo.
Forma e conteúdo. Quantos são os livros que retratam a realidade urbana ao mesmo tempo que são inovadores em sua forma? O que vemos é que a maioria desses privilegia seu enredo como forma de reproduzir nosso tempo. Por isso os palavrões, o sexo cru ou a violência. Pior: alguns autores parecem achar que os palavrões, o sexo cru ou a violência fazem parte da forma e não do conteúdo! De maneira pouco perspicaz, escritores procuram produzir sensações no leitor através desses artifícios inócuos. Rubem Fonseca já construiu um personagem que apanhava uma arma de fogo e tentava pregar pessoas na parede por simples diversão. Quanto ao sexo, duvido que a literatura possa nos surpreender de alguma forma com a enxurrada de imagens que invadem o nosso cotidiano, desde a internet até uma propaganda de cerveja. Continuar usando somente esses recursos como forma de criar algo novo para a literatura é dar aos críticos literários argumentos suficientes para desprezar o gênero.
Qual a solução? Há uma falta de percepção no gênero. A pergunta que todo autor deveria saber responder prontamente é em que medida sua obra atualiza o tema das realidades urbanas. Não parecem que muitos conseguem responder à questão. Se não sabe ou não vê problema algum em somente reproduzir a nossa realidade, então esse autor não merece o tempo do leitor. Criar um personagem angustiado, niilista, autodestrutivo ou fragmentado é algo que o leitor já está acostumado a encontrar. Mas o que a maioria dos livros com esse enfoque não diz é: e daí? Em que medida criar uma cultura de paranóia urbana evolui ao ponto de vislumbrarmos, cada vez num futuro mais próximo, seres mais afastados uns dos outros? Em que medida esse ser urbano se desumaniza? Parece haver, portanto, uma preguiça generalizada entre os autores ou uma incapacidade de fugir do que apenas apresenta a superfície, traduzindo os sinais evidentes em algo que realmente podemos chamar de nosso tempo. Não consigo entender o por quê de tanta miopia e conservadorismo. Se o passo mais difícil já foi dado, a conquista de um público leitor fiel, por não avançar e apresentar as conseqüências disso de uma forma literária?
Pode-se dizer que há pelo menos um ponto positivo nessa crise do gênero. Se os autores não pensarem o mais depressa possível na renovação da arte que produzem, o público que hoje compra tais livros vai sumir. Diminuindo a demanda, diminuirá a oferta. Como conseqüência, o futuro promete o fim da mesmice.
Você gosta de literatura mas sente falta de uma aula rápida para entendê-la melhor? Saber aquelas coisinhas básicas sobre o que é um conto, uma novela, um romance, personagens e tudo mais? Mas nada daquela ladainha verborrágica e sim um bate-papo tranqüilo, leve. Que tal uma aula com Milton Hatoum, um dos principais escritores contemporâneos, três Jabutis, professor universitário de literatura? E o que é melhor: na sua casa, no dia e horário que você quiser? Pois a Cultura Marcas fez esse favor para todos nós e lançou três DVDs de um curso com Milton Hatoum chamado “A Construção do Romance”. Aliás, além desses DVDs existem vários outros cursos fantásticos, a cada um que assisto mais impressionado fico com a qualidade deles. Veja aqui:
A Construção do Romance 1: Gênero Literário/ Foco Narrativo
A Construção do Romance 2: O Tempo Narrativo/ Os Personagens
A Construção do Romance 3: Diálogos
Simplesmente imperdível.
““Essa classificação de estrelinhas e bonequinhos, que vemos por aí, não podem ser considerados crítica, é apenas o que eu chamo de ‘bate-papo da esquina glorificado’ . É mais uma avaliação de mercado do que, efetivamente, um texto crítico”, bombardeia logo de início. O chamado “texto de opinião” , a que o jornalista se refere, pertence a outro tipo de gênero, mais semelhante talvez a uma crônica, pois nele não há fundamentos que, por exemplo, provem que determinado CD é bom ou ruim. É apenas uma opinião, reflexo de um gosto pessoal, que não contextualiza a obra e nem compreende plenamente o trabalho do autor.
A etimologia de “crítica” vem da palavra grega krimein, que significa “quebrar” e também influenciou na formação da palavra “crise”. “A idéia da crítica é ‘quebrar’ uma obra em pedaços para se pôr ‘em crise’ a idéia que antes se fazia daquele objeto, através de uma análise”, explica Nestrovski. Para tanto, é necessário entender as partes do objeto que será analisado para justamente descrevê-lo. A partir daí, o crítico faz sua própria interpretação de acordo com o contexto em que se encaixa o artista e sua obra.”
Palavras do jornalista Arthur Nestrovski publicadas no blog do Digestivo Cultural.
(Pena que nos jornais e revistas o que predomina são as estrelinhas e bonequinhos.)
Leia o texto completo clicando aqui.
A Câmara Brasileira do Livro (CBL) divulgou no início da tarde desta terça-feira, 21, os vencedores do 49º Prêmio Jabuti. Na categoria romance, os vencedores são:
1º - “DESENGANO” - CARLOS NASCIMENTO SILVA - AGIR EDITORA LTDA
2º - “VISTA PARCIAL DA NOITE” - LUIZ RUFFATO - EDITORA RECORD
3º - “PELO FUNDO DA AGULHA” - ANTONIO TORRES - EDITORA RECORD
Notícia do Estadão. A lista completa pode ser acessada clicando aqui.
Já está no ar o site da Copa de Literatura Brasileira. Lá você encontra a tabela com as partidas e poderá opinar, como num blog. Logo logo as partidas começarão, portanto, não deixe de acompanhar! Clique aqui para entrar no site e não deixe de colocá-lo nos favoritos do seu browser.
Estou tentando achar tempo para ler Moby Dick. Daí a Lulu escreveu um post e eu estou agora passando ele para frente da fila. Mas o post não é somente sobre Moby Dick, portanto, clique aqui e leia.
Excelente entrevista de Bernardo Carvalho no jornal Rascunho. Clique aqui para ler.
Bom, literatura contemporânea é sempre um assunto muito controverso. Daí, li esse post do Jonas Lopes e fiquei com vontade de escrever um outro sobre o assunto. Como o tempo está escasso, clique aqui, leia “Por uma literatura de sangue, suor, lágrimas e idéias” e se puder voltarei ao assunto.
O escritor Antonio Fernando Borges tem um excelente blog. A recomendação é que você leia tudo, mas se tiver com seu tempo escasso, pelo menos esse texto é imprescindível.
Por último, Cecilia Gianetti lança seu livro hoje no Rio:

O trabalho de escritor pode conduzir a alguns caminhos difíceis. Num oceano de assuntos possíveis para composição de um romance, o mergulho pode produzir um grande número de sensações e descobertas. Em alguns casos a descoberta pode ser terrível - por exemplo, um escritor que mergulha na personalidade de um genocida. Ao sair do oceano, o escritor pode se sentir pior, vendo em sua criação um retrato artístico que talvez seja difícil de encarar, afinal previamente ele reconhece que o terror de seu personagem não produzirá os melhores sentimentos nos leitores. Mas não são somente personagens desumanos que podem causar perturbação, no caso de uma aproximação entre personagem e autor, expor fatos pessoais em uma prosa de ficção pode se tornar um modo cruel de espelhar-se. Despojar-se e procurar narrar acontecimentos pessoais através de um narrador pode produzir livros irregulares, pois a tentação de abandonar a ficção para tornar o texto apenas uma lista de lamentações e justificativas de proceder é algo que se verifica em boa parte das autobiografias. É, portanto, um terreno perigoso que muitos autores procuram evitar, às vezes delegando a tarefa a um outro autor. Afinal como escrever algo pessoal sem ser simplório ou pedante? Pior, como escrever fatos íntimos com um afastamento equilibrado, tornando o texto, de fato, uma ficção?
Essas são perguntas que aparecem quando lemos o livro “O Filho Eterno”, de Cristovão Tezza, um relato que é um mergulho num mundo íntimo, mas um mergulho equilibrado pela ficção. Engana-se quem pensa que ali está o autor contando a verdade, as memórias de sua vida. Há um afastamento, proposto pela construção da narração em terceira pessoa, que faz toda a diferença nos trechos mais difíceis. Vemos um desnudar de fatos íntimos - os desafios enfrentados por um pai e seu filho com síndrome de Down -, trabalhados para serem apresentados ao leitor como história. O equilíbrio faz desse livro uma jóia de beleza e sensibilidade, algo muito positivo, apesar destes termos terem assumido um caráter tão negativo em nossos tempos. Um exemplo disso são os trechos iniciais, quando o narrador ao receber o diagnóstico de que o filho possuía a síndrome, imagina a possibilidade de vê-lo morrer logo. Há a delicadeza dum pai, mas um afastamento do narrador, que permite uma confissão tão franca. À medida que o tempo avança e o narrador busca ajudas para o melhor desenvolvimento do filho, o sentimento inicial passa a se transformar, ao ponto de sentirmos também uma angústia terrível quando o narrador narra um episódio em que o seu filho se perdeu. O sentimento do narrador ultrapassa a história e é transmitido ao leitor. Passa-se a sentir empatia pelo narrador e somos envolvidos pela história de Felipe, o filho com síndrome de Down.
Mais do que uma história de filho doente, “O Filho Eterno” é uma bela reflexão sobre a paternidade, sobre ser escritor e sobre o momento político conturbado dos anos 1980. Vemos a persistência de um autor que acumula em sua gaveta cartas das editoras contendo avaliações negativas de suas obras, relembramos os absurdos sistemas de financiamento habitacional da era Sarney, além do amadurecimento de ponto de vista de um ser humano em seu papel de pai. Reflexões que poderiam facilmente se transformar em auto-comiseração dado o tema com forte apelo emocional, mas o texto foge disso. O texto de Tezza é emotivo, mas não é daqueles que somente apelam para a emoção, utilizando artifícios batidos que os leitores mais experientes conhecem. O que há ali é a literatura madura de um escritor talentoso, sem dúvida um dos mais importantes escritores brasileiros contemporâneos.
Aliás, com respeito aos escritores brasileiros contemporâneos, Tezza é um caso que poderia servir de diagnóstico dos leitores em relação à nossa atual literatura. Apesar de suas evidentes qualidades e das várias obras publicadas, ele não é um autor muito comentado. A falta de conhecimento do autor é proporcional aos comentários que vemos de leitores que dizem que hoje não se escreve nada que presta, que ninguém escreve como Machado na atualidade, essa conversa tola que vez por outra ainda ouvimos. O livro é, portanto, uma resposta enfática de que se produz sim na atualidade uma literatura de grande qualidade e de que vale a pena acompanhar a cena literária contemporânea. Se você quiser conhecer mais o autor, a recomendação se estende também aos romances “Trapo” e “O Fotógrafo”, outros dois excelentes livros.
O livro de Tezza, por fim, dá-nos uma sensação de satisfação por termos dedicado parte de nosso tempo em sua leitura. O mergulho que o autor faz em sua intimidade tem como resultado um livro que merece ser destacado. Um livro que faz o leitor se orgulhar por tê-lo lido. “O Filho Eterno” do título permanece em nossa recordação. Somente isso é motivo suficiente para que o autor, ao sair deste oceano da literatura, orgulhe-se por deixar suas páginas à disposição dos leitores.
Eu: É, mas ele escreveu um clássico da literatura brasileira.
Ela: Vai ter Fla-Flu hoje. Quer apostar como vão anunciar que é um ‘clássico’?
Somos assim. De tanto ouvirmos falar de um livro, vamos até a estante e o apanhamos. Com elevadas expectativas iniciamos sua leitura. Seguimos sem que nossas expectativas se confirmem. Avançamos. Pouco a pouco essas expectativas diminuem. Daí acontece. Num trecho somos imediatamente arrebatados. O que lemos não atua somente em nosso intelecto - seria um clichê dizer que atrai o que há de humano em nós? Não importa. O que ocorre no exato momento em que nossos olhos correm pelo papel num trecho soberbamente escrito é uma identificação de humanidade. O mundo da literatura nos dá isso: a oportunidade de num instante nos transformarmos em mais que nós mesmos. Não importa que depois a sensação desapareça, substituída pela racionalidade que aponta para o objeto e diz tratar-se apenas de um livro. Importa somente o êxtase do instante. Aquele instante.