O jornal Valor Econômico publicou uma matéria dando o retrato do mercado editorial em 2007 e falando sobre as apostas das principais editoras para o ano de 2008. As notícias não poderiam ser melhores. O que se viu foi um crescimento significativo no volume de vendas, resultando com isso num aumento de faturamento mesmo com o preço de capa do livro praticamente estagnado. O faturamento da editora Objetiva cresceu 22%, a Ediouro 50%, Companhia das Letras e Record, 6% e 4% respectivamente. O aumento faz com que as editoras planejem aumentar a tiragem média das obras. Se em anos anteriores ouvíamos falar sempre da diminuição do mercado de livros no Brasil, o ano de 2007 parece apontar para uma virada e o clima é de otimismo.
Se economicamente a situação está muito boa, culturalmente não se pode dizer o mesmo. Apesar dos bons lançamentos, continua-se a reclamar da falta de debate e discussão sobre literatura e o ano de 2007 não trouxe nenhuma novidade. O espaço que a literatura consegue na mídia impressa continua escasso, com os jornais publicando semanalmente cadernos de literatura reduzidíssimos como no ano anterior. Se nos lembrarmos que o último exemplar da revista Entrelivros foi para as bancas em dezembro, chegamos a conclusão que a situação piorou um pouco mais. A falta de espaço para a literatura na mídia impressa tem feito com que ocorra uma migraçao do público para a internet, que é não somente um bom veículo para divulgação e acesso à informação, mas também um ponto de encontro de leitores interessados pela literatura. Na teoria, tudo muito bom, mas na prática não é o que ocorre.
O cenário visto em 2007 na internet difere muito pouco dos outros anos: agressividade e falta de educação nas caixas de comentários, pessoas tentando provar que leram e sabem mais que qualquer outro e nenhuma questão relevante sendo abordada. O que mais se discute não é a literatura, mas assuntos periféricos – basta lembrar que praticamente a única discussão que se viu foi o projeto Amores Expressos, por causa da possibilidade dele ser beneficiado com recursos através da lei Rouanet. Dá para se contar nos dedos de uma mão os sites e blogs sobre literatura que tem algum poder para fazer repercutir opiniões.
Como mudar isso? Não há uma fórmula fácil, mas em todas as contas, entram os leitores. O convite à mudança passa por se aprimorarem, tornarem-se melhores, capazes de perceber qualidades e defeitos naquilo que lêem e expressar adequadamente seu ponto de vista. Falta reconhecer que ler, mesmo sendo uma atividade prazerosa, exige esforços. O primeiro e mais evidente é o esforço em despender tempo na leitura. Mas os esforços posteriores, que envolvem a análise e percepção de uma obra, dificilmente são levados em conta. Não se contentar, portanto, em gostar ou não de algo, de achar empolgante ou chato um livro, mas procurar refletir sobre que características causam tais efeitos. Principalmente, educar-se. A literatura se alimenta da própria literatura. Quanto mais se lê, melhor a visão daquilo que chamamos de tradição literária. Não há como esperar um debate literário onde circulam boas idéias e pontos de vista se as pessoas que participam não os possuem. Para quem gosta de literatura, fazer com que essa posição em relação à leitura se dissemine junto com os livros é a grande meta para que 2008 seja um ano melhor. E é o convite que faço aos leitores deste blog.





















Como você mesmo confirma, o caminho é longo, passa por um longo tempo de prosperidade econômica, para que se tenha tempo para aplicar num lazer como a leitura. Hoje ela é, mais ou menos, desprezada como um todo, pela rapidez dos outros meios de expressão. Sei não, sei pouco a respeito. Mas conte comigo para incentivar a leitura, ser ao mesmo tempo bem recebido e não ser objeto da raiva de alguém por isso ou por aquilo.
Acrescento a tudo, meu entusiasmo e incentivo ao seu trabalho nesse sentido.
Abraços e um ano muito feliz.
leandro,
teu blog é para mim um destes espaços onde podemos discutir e se informar sobre literatura e critica literaria. parabens pela sua iniciativa e saiba que sou seu leitor assiduo.
angelo
Gostaria de saber se alguém já leu e autobiografia da atriz Morgana Dark e o que achou e onde posso comprar, vcs tem? O livro chama-se Feitiço de Eros.
Obrigado
Obrigado Djabal e angelo.
Julio, não conheço o livro. O site aponta para links do Submarino como uma parceria.
É possível haver melhores discussões sobre literatura, pelo menos na internet. Espaço é o que não falta, há sites e blogs excelentes. O que falta mesmo é disposição. Não só a ler mais, mas pessoas dispostas primeiramente a refletir (pensar, pensar muito e sempre) e conseqüentemente a uma troca sincera. Ninguém está disposto a isso, esse é o problema.
Muito bom o post, Leandro. Estou voltando com as leituras e com o blog em breve. No mais, é muito difícil encontrar textos agradáveis e, principalmente, saudáveis como o seu no universo literário. Grande abraço.
Ontem eu estava relendo um livro que eu gosto muito – na minha opinião quem tiver algum interesse em entender um pouco sobre o Brasil – eu recomendo a leitura desse livro: “Minha Formação” – escrito por Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo – nasceu em Recife, 19 de agosto de 1849 — e faleceu em Washington, 17 de janeiro de 1910 – foi um político, diplomata, historiador, jurista e jornalista brasileiro.
Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.
Por sorte a Biblioteca Nacional disponibilizou o livro “Minha Formação” para Domínio Público – quem quiser é só entrar nesse site baixar e ler: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=2108
Eu não sou monarquista – me considero uma pessoa humanista – eu acredito que através da história – fica mais fácil de entender sobre o seu país – principalmente o Brasil – só que a leitura tem que ser feita com a mente aberta sem preconceitos com opiniões já preconcebidas – caso contrario não conseguiremos aprender a pensar diferente a ter novas idéias, porque é através delas que surgem propostas realistas – devemos ser honestos consigo mesmo – as vezes a nossa ideologia não vai resolver os problemas do Brasil – e o Brasil tem que estar acima disso – o Brasil tem que estar sempre em primeiro lugar.
O mais interessante do Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo é que ele era monarquista e fez campanha contra a escravidão na Câmara dos Deputados em 1878 e fundou a Sociedade Antiescravidão Brasileira, sendo responsável, em grande parte, pela Abolição em 1888.
Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Ara e filho do jurista e político baiano, senador do império José Tomás Nabuco de Araújo, e de Ana Benigna de Sá Barreto Nabuco de Araújo (filha de Francisco de Sá Barreto, primo de Francisco Pais Barreto). Desposou Evelina Torres Soares Ribeiro, filha de José Antônio Soares Ribeiro, 1º barão de Inoã (ou Inhoã), e neta de Cândido José Rodrigues, 1º barão de Itambi. Dessa união nasceram: Maurício, que foi diplomata e, como o pai, embaixador do Brasil nos Estados Unidos da América; Joaquim, que foi sacerdote da Igreja Católica, chegando a ser Monsenhor e Protonotário Papal; Carolina, escritora de renome; Mariana e José Tomas, este casado com Maria do Carmo Alvim de Mello Franco Nabuco, filha de Afrânio de Mello Franco, primeiro Ministro das Relações Exteriores do governo de Getúlio Vargas.
Joaquim Nabuco se opôs de maneira veemente à escravidão, contra a qual lutou tanto por meio de suas atividades políticas e quanto de seus escritos. Fez campanha contra a escravidão na Câmara dos Deputados em 1878 e fundou a Sociedade Antiescravidão Brasileira, sendo responsável, em grande parte, pela Abolição em 1888.
Após a derrubada da monarquia brasileira retirou-se da vida pública por algum tempo.
Mais tarde serviu como embaixador nos Estados Unidos da América (1905-1910). Passou muitos anos tanto na Inglaterra quanto na França, onde foi um forte proponente do pan-americanismo, presidindo a conferência de Pan-Americanos de 1906.
Nabuco foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, tomando assento na cadeira que tem por patrono Maciel Monteiro.
Concepções políticas
Nabuco era um monarquista e conciliava esta posição política com sua postura abolicionista. Atribuía à escravidão a responsabilidade por grande parte dos problemas enfrentados pela sociedade brasileira, defendendo, assim, que o trabalho servil fosse suprimido antes de qualquer mudança no âmbito político.
A abolição da escravatura, no entanto, não deveria ser feita de maneira ruptúrica, ou violenta, mas assentada numa consciência nacional dos benefícios que tal resultaria à sociedade brasileira.
Também não creditava a movimentos civis externos ao parlamento o papel de conduzir a abolição. Esta só poderia se dar no parlamento, no seu entender. Fora deste âmbito cabia somente assentar valores humanitários que fundamentariam a abolição quando instaurada.
Espero que através dessa leitura pelo menos uma pessoa – tenha gostado e entendido um pouco sobre a história do Brasil.
Obrigado,
Jussara Hughes
São Paulo – SP.
Convivo com a literatura desde meus tempos de infância, mas até hoje nenhum autor me tocou tanto como o Eduardo Martínez que escreveu o impagável Despido de Ilusões, o meu romance preferido. A maneira que ele escreve me faz lembrar da minha velha avó, tão boa cozinheira e sábia com as palavras. Claro, existem milhares de escritores espalhados pelo mundo e não conheço todos mas o Eduardo Martínez me tocou direto no coração.
Larissa, eu já tive o prazer de ler Despido de Ilusões e posso lhe garantir que você está certíssima pois o autor é maravilhoso, ele tem um texto rico e ao mesmo tempo leve.
Meninas, conheço muito bem o trabalho do Eduardo Martínez. Sou escritora também e tive o prazer de conhecê-lo quando estive no Rio de Janeiro. Além de um escritor de primeira linha, ele também é uma pessoa de bem com a vida, sempre para cima e muito humilde.
realmente é verdade que a literatura se vê meio sufocada pelas outras midias de comunicação e entreterimento, mas é da literatura que saem os filmes, as peças de teatro, as letras de musica, ela é a fonte de tudo isso que consumimos, mas hoje as pessoas desejam mais o que está mais “acessivel e rápido” de se consumir. Cabe aos leitores de literatura, como cavaleiros templários, especie em extinção; lutar para não deixar que a literatura e suas discussões morram soterrdas na evolução das mídias…