Durante muito tempo Jorge Luís Borges foi considerado um dos principais escritores argentinos. Era conhecido por sua enorme erudição e sua amizade com outro famoso escritor Adolfo Bioy Casares. Os dois sempre foram cotados para receber o prêmio Nobel de Literatura até que em 1967 o embuste foi revelado pelos jornais: os dois escritores, na verdade, eram pseudônimos do escritor H. Bustos Domecq. A revelação, além de anular quaisquer chances de qualquer um deles receber o prêmio, fez com que a editora solicitasse aos leitores que se sentiram enganados que devolvessem os exemplares dos dois autores para serem ressarcidos, o que ninguém fez. Aproveitando a exposição midiática produzida pela notícia, a editora lançou Crónicas de Bustos Domecq, que não fez tanto sucesso quanto os pseudônimos. O resultado foi que o autor resolveu continuar produzindo textos assinando na capa os nomes de Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares. Pouco antes de morrer, o escritor H. Bustos Domecq concedeu uma entrevista em que se dizia surpreendido pelo fato de terem demorado tanto para divulgar a verdadeira identidade por trás de seus pseudônimos, já que em 1940 ele havia revelado isso no conto Tlön, Uqbar, Orbis Tertius. Segundo ele, somente quem acreditasse na existência física de Tlön, poderia acreditar que personagens tão fantásticos como Borges – um homem que leu bibliotecas inteiras até ficar cego – e Bioy Casares pudesse existir fora do mundo da ficção.
Os Espelhos de H. Bustos Domecq
Escrito por Leandro Oliveira em 18/03/08 |
8 comentários »
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Ai, Leandro! Eu adoro esse seu “equívocos”. Muito bom! isso que eu não sei dos detalhes da missa de borges a metade! Deve ser ainda mais saboroso para quem conhece…
mal posso esperar a próxima terça…
Poxa, esse realmente é um tipo de texto bacana. Empurra o leitor pra fora, na intenção de conhecer mais do que você escreveu (especialmente pra mim que conheço pouquíssimo dos autores citados). Muito bacana, parabéns!
Adorei! Só faltou contar que quem descobriu o embuste e entregou a pauta para os jornais foi o famoso detetive portenho Isidro Parodi.
E tudo, na verdade, por um amor cego e interdito, né, Ju.? Pior foi quando, no final, Parodi fez a decoberta de Riobaldo: Boges era corpo de mulher…
Leandro, adorei os seus equívocos, a mais borgiana das categorias de textos do Odisséia. Parabéns mais uma vez pelo seu excelente trabalho no blog. Abraço.
Muito bom, difícil acreditar que um escritor como Borges tenha realmente existido. Seria um personagem fantástico.
Aaaaaaaah, pára!
kkkkkkkkkkkkkk
Isso aqui só melhora! Não demoro mais voltar.
ô Leandro, vc sabe alguma coisa sobre Nelson Bond? Não encontro nada sobre ele, além deste conto maravilhoso que o título eu coloquei no meu blog. ‘A livraria das obras inéditas’ está numa coletânea organizada por José Paulo Paes que encontrei no sebo. Junto dela tem até o maravilhoso ‘Demônios’ do Aluízio Azevedo… Espero que vc fique curioso como eu a respeito do N.B. ou se já saiba algo possa me indicar alguma coisa, me dar uma pista… Sei lá…
Muito bacana, Leandro.
A qualidade do texto está exatamente no fato borgeano: você sabe que é uma inverdade, mas se delicia com ela.
Abraço