“Quando despertaram do sonho das hipotecas e daquele poderio econômico que criam ser eterno, quando despertaram em pleno centro do turbilhão que arrasava tudo, o livro permanecia ali. Era assombroso, nada nem ninguém havia conseguido alterá-lo. Ninguém o havia movido do lugar de sempre. Olharam incrédulos, parecia mentira. Ali estava, totalmente impertubável. Anos de barbárie não tinham podido com ele, e agora, no início daquele século que havia começado com uma grande tempestade, o livro estava ali para recordar-lhes ou simplesmente informar-lhes, se não soubessem, que a literatura fala uma linguagem distinta, não opressora, muito diferente do resto das linguagens perversas que nos escravizam com suas tiranias cotidianas: a linguagem econômica, política, religiosa, familiar, televisiva.”
Enrique Vila-Matas, numa linda homenagem no Dia do Livro. Leia o texto “El talento del lector” clicando aqui.




















