Por causa do post anterior, cheguei a este texto recente de Daniel Piza e confesso que fiquei desanimado. O trecho que mais me chamou atenção foi esse:
“Como se vê também em antologias de autores contemporâneos, a exemplo do Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa ou do número 4 da revista Granta, para não falar de alguns romances que tenho lido, a ficção nacional sempre soa como uma espécie de memória disfarçada, uma crônica rarefeita e emotiva, parasitária de alguma influência mal digerida. Os personagens nunca deixam de ser autobiográficos; o estilo sempre está a reboque de outro. Não se explora a língua nem em seu potencial de pensamento nem de percepção.”
O espírito presente aqui é exatamente aquele que critico, o de louvor ao cânone e o de desalento em relação ao que está sendo escrito no presente. Textos como esse prestam um desserviço pelo poder de alcance que a opinião de Piza tem sobre aqueles que o lêem. Representam mais uma peça no museu das grandes novidades do que se fala da literatura pelos jornais brasileiros. Respondo, perguntando: afinal de contas, que valor tem um crítico que elogia o cânone? Para que repetir a mesma ladainha de que o que se produz hoje não se compara a Machado de Assis e Guimarães Rosa? Se “o problema mais básico da crítica brasileira” para Daniel Piza é “o medo de desagradar à patota”, então a situação é mais feia do que eu pensava. Platão expulsou o poeta da sua República e Piza não se dá ao trabalho nem ao menos de reparar nele. É só um ‘viva o cânone’ e a unanimidade do já-dito.





















Desculpe-me, mas é ‘elogia’ em vez de ‘elogio’; e o que de ‘para que’ não tem acento.
Obrigado Petulante, texto corrigido.
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Entendo, mas acho que no fundo ele queria dizer: “os livros tais e tais, que estão sendo incensados pela mídia, na verdade são autobiografias disfarçadas e chatos”; e, para não dar nome aos bois, generalizou. Mas há exceções. Eu sou uma que detesta esse tipo de umbiguismo, tanto na hora de ler quanto na hora de escrever.
Em fim alquém de bom senso também leu aquela loucura. Também me incomodou muito a opinião do senhor citado. o texto do senhor Piza é uma ode ” viva o Canône” e mostrou que a busca de uma identidade literária brasileira ainda segue uma caminho tortuoso e antiquado. Temos tantas identidades literárias quanto identidades culturais. Tenho medo de críticos deste calibre. Geralmente acabam matando o gosto pela leitura e a vontade de muitos de seguir escrevendo.
Vievemos na inércia literária, que se projeta e sobevive através do tempo por plágios ideários. Onde estão os verdadeiros poetas, nobre amigo?
Vivemos na inércia literária, que se projeta e sobevive através do tempo por plágios ideários. Onde estão os verdadeiros poetas, nobre amigo?
“louvor ao cânone?” só pode ser loucura entender dessa forma a argumentação de Daniel Piza. Me parece que esse sua reclamação é uma tentativa de reinventar a roda, se não vejamos, pela sua opinião se deve fazer literatura a partir do nada e ignorando toda uma tradição. Não sei não, mas me parece que você é um relativista e como relativista tem fobia de clássicos porque não sabe lidar com eles, se baseia na lógica “clássico=mal e novidade sem fundamento=bom”. Seguindo ainda a sua argumentação e sua fobia de cânones se estendermos sua posição um pouquinho chegamos ao maior de todos os desserviços que é a aquilo que todo o mundo chama de educação. Se você entende a relação cânone e produção contemporânea de forma maniqueísta eu acho que você presta um desserviço a si mesmo. O que lhe falta é leitura e a conseqüência dessa falta de leitura é sua crítica rasa onde você mostra claramente que não conseguiu entender o que Daniel Piza falou. Inclusive cito uma passagem desse mesmo texto em questão “a melhor maneira de defender a literatura nacional, como mostrou Bandeira, não é passando a mão na cabeça, e sim separando o que de melhor se fez nas letras brasileiras.” esse é o ponto principal da argumentação de Piza ele se preocupa com a qualidade do que é escrito atualmente enquanto você parece achar que esse tipo de critério não é bom justamente porque, ou você quer que passem a mão na sua cabeça por qualquer merda que escreva ou quer passar a mão na cabeça de outros que escrevam merda por aí só porque é novidade ou “originalidade”. Schopenhauer diz em seu livro “A Arte de Escrever” a produção literaria é enorme e a vida é curta e não há tempo a perder lendo o que não presta. Não é possível transitar pela literatura tendo como critério somente a oposição ao cânone até porque as coisas não são tão simples como muitos de nós gostaríamos.
Não vi no texto comentando uma fobia ao cânone. Inclusive ele o legitima, quando comenta, questionando, o valor do crítico que somente o valoriza. E o que,sinceramente, é o caso so sr. Piza. Não acredito na desvalorização dos clássicos, mas vejo que também devemos valorizar outras formas e outras genialidades. Por fim , se acaba formando uma especie de contra cânone ( o que não deixa de ser outro cânone), e esta é justamente a posição do nosso amigo comentador acima. Algumas radicalizações são realmente um ponto de partida de discussão duvidosa.
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[...] os sete | Leave a Comment Estava lendo alguns posts do Odisséia Literária (aqui e aqui), e depois fui dar uma olhada no texto de Daniel Piza (que você pode ler aqui), em seu blog no [...]
Olha, acho que o Daniel Piza de vez em quando “piza” na bola. Leio um pouco com o pé atrás o que ele diz, mas acho que aí ele não está muito errado, não. Se bem que é meio perigoso ficar afirmando coisas sem dizer sobre o que está falando de verdade. Dá margem a mil interpretações. Autobriografia genial? Pedro Nava. Autobiografia mediana? Cristóvão Tezza. Autobiografia umbiguista? Muita gente, de perder a conta, de encher o saco. Agora, uma coisa é certa: dizer que é bom só porque é “original”, já deu o que tinha que dar. Quem consegue ser original hoje em dia? Tudo já foi inventado. Deve estar na hora de melhorar o que já existe. Mas melhorar muito.
Aliás, esqueci. Site ótimo. Fiquei conhecendo hoje. Parabéns.