“Chegam caixotes de livros pelo correio, chegam revistas literárias estrangeiras e eu pasmado: parece que não há quem não escreva neste mundo, romances sobre romances sobre romances, poesia, ensaio, biografia, contos, memória, o raio que o parta. E depois estudam-se uns aos outros, têm ideias, opinam, dissertam acerca de influências, presenças, ausências, ritmos, estruturas, aproximam nomes, afastam-nos, cagam postas, falam, compreendem, etiquetam, classificam, arrumam e tudo isto me dá um enjoo só comparável ao enjoo que me dão os jornais, não há quem não reflicta, não ache, não julgue, não decida, azedos, simpáticos, pretensiosos, analíticos, cultos, afirmativos, jocosos, o que tem esta tralha a ver com a vida, o que tem esta tralha a ver comigo, não me interessa, passem muito bem, adeuzinho e lá ficam eles a resmungar, a gesticular, a sussurrar, a medir. Não era assim que eu imaginava quando comecei, não me interessa, não quero. Interessam-me os meus amigos”
António Lobo Antunes, em sua crônica na Revista Visão.





















e eu responderia assim:
e sabe qual é o pior, antonio? sao esses autores canonicos e prolixos, que publicam uma novela de 600 pgs por ano, escreveram a vida inteira, mas quando ficam velhos, comecam a reclamar dos outros escreverem tambem… que hipocrisia desse povo, neh?
Mas você já conhece o homem né? Não dá pra confiar no que ele escreve em suas crônicas. Muitas são pura contradição.
Nossa, nem lembro o que eu botei no google pra encontrar esse blog, mas certamente foi certeiro, era isso que eu estava procurando há muito tempo. Excelente site! Parabéns!
Por sinal, concordo perfeitamente com a indicação dos livros, sendo o “Indignação” o melhor entre eles.
Abs
Leandro Oliveira!
Que sensação deliciosa encontrar um site tão inteligente, de estrutura ímpar e agradável!
Quanto à matéria acima, concordo plenamente com o seu ponto de vista! Escrevemos sim, somos felizes por acreditarmos que um dia seremos lidos, nem que for por um presunçoso qualquer, que se rotulou de “o crítico” e que passa horas a fio tecendo um texto a fim de “alfinetar” esse ou aquele autor, escritor, poeta, e por aí vai…
Vamos escrever mais e mais, porque a nossa imaginação é arraigada de criatividade, de personagens loucas, desvairadas, santas, calmas, etc.
Como é maravilhoso amar as palavras!
Só respondo o seguinte:
Continuem escrevendo que eu continuo aqui. Se alguém vai ler, paciência né…
Ah, mas e daí? Um cara em crise, que também escreve, só teria crédito, se autorizasse a destruição de tudo que ele escreveu.
Ou então, melhor nem reclamar…
Meu irmão, adorei e me identifiquei imediatamente com o que voce disse, também odeio estes profetas do acontecido que ficam por ai dizendo o que é certo ou errado para os outros e julgam tudo com suas espadas da razão, uns idiotas, na verdade nao sabem nem o que querem.
É isso ai, aos amigos tudo, aos inimigos, justiça.
E não é verdade? Nem precisa chegar ao ponto de publicar livros; os próprios orkuts da vida mostram como as pessoas se orgulham de si mesmas e acham que o mundo quer compartilhar de suas ideias maravilhosas .
…e mesmo assim escreve….
O irônico mesmo é que o ilustre português não mandou essa crônica somente pros amigos, né não, ó velho Lobo?
Em certa entrevista, o Lobo disse que seu soinho era modificar a literatura, edificar um estilo próprio e divisor de tempos. Depois de velho aparenta que o luso está com ciúmes da própria literatura que ele ajudou a inovar, como se depois de Lobo a literatura tivesse chegado a sua condição final: intocável, sem mais nada a acrescentar.
É ridículo publicar um acesso desses, e com um mimo tão infantil na conclusão que pareceu de um menino senil: rabugento e egoísta.