Não costumo ser saudosista, nem sou daqueles nostálgicos que sempre vêem no passado tudo de bom e no presente uma série de coisas ruins. Mas o fato é que percebo dois pontos muito preocupantes na literatura atual. Primeiro: os novos escritos de hoje geralmente são seres desconhecidos do público em geral e segundo, atualmente não existe nenhum gênio unânime da literatura. Os mais antenados podem estar agora com os cabelos em pé ao me ver fazer estas duas afirmações, mas é o que vejo ao meu redor.
Querem ver como essa preocupação se justifica? Observem o seguinte: mesmo em vida Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa, por exemplo, eram tidos como mestres geniais da literatura. Quem se arrisca a dizer o mesmo de qualquer escritor vivo de hoje? O mais próximo disso que vimos recentemente, foi Jorge Amado, mas que morreu a pouco e que pessoalmente não creio ter sido tão grande assim. Mas vivo, quem levaria hoje este título?
Com respeito a nova literatura, o site Paralelos é uma iniciativa rara hoje em dia. Através do site encontramos muitos textos e entrevistas que tentam mostrar o que é a literatura brasileira atual. Inclusive a pouco tempo atrás, foi lançado o livro “Paralelos - 17 Contos da novo Literatura Brasileira”, com textos dos autores Antônia Pellegrino, Augusto Sales, Cecília Giannetti, Crib Tanaka, Flávio Izhaki, Francisco Slade, Gustavo de Almeida, João Paulo Cuenca, Jorge Cardoso, Jorge Rocha, Leandro Salgueirinho, Mara Coradello, Mariel Reis, Pedro Süssekind, Paloma Vidal, Simone Paterman e Tatiana Salem Levy. Mas saia por aí e pergunte a respeito de qualquer um deles. O que vemos, de modo geral, é um total desconhecimento. Saindo da literatura impressa e navegando pela internet, percebemos uma nova tendência, que é a utilização de sites e blogs literários. Mas, mesmo estes, têm atingido um público, que me parece ainda bem restrito.
Essa constatação fica martelando em minha cabeça. Será que isso aponta um desinteresse pelos novos? Um desinteresse pela literatura brasileira, dum modo geral? Ou será que apontam para uma queda na qualidade da literatura brasileira? Ou será que tudo não passa de uma paranóia que tenho e que não se justifica? São questionamentos que me faço e dos quais ainda não consegui chegar a uma conclusão.























Olá Leandro. Discuti este mesmo assunto com um amigo uns dias atrás e a observação dele fez eu parar para pensar (não cheguei ainda à grandes conclusões… rs), mas a maioria dos grandes escritores foram considerados (na maioria das vezes) grandes escritores postumamente. Infelizmente não damos muitas oportunidades ao que é novo, pois já o recebemos com desconfiança e muitas vezes nem temos oportunidades em saber da existência deles. Mas tenho certeza que há muita gente boa, o que falta é descobri-los. Afinal não é possível que vivemos num século desprovido de “gênios”.
beijocas
Isso realmente acontece na maioria das vezes Lalai. Mas a questão é que junto com os escritores que tiveram um reconhecimento póstumo, há aqueles reconhecidos em vida, conforme os exemplos que citei no texto. Mas hoje quem faz esse papel? E mais: será que o problema é que nossa literatura anda atrasada, dum modo que tudo o que se produz hoje causa aquela sensação de “eu já cansei de ver isso antes”? Será que realmente não está faltando novidade?
Caro Leandro,
Obrigado pelo comentário no Caderno de Escritura. Não sei o que pensar e não sei se o que eu pensar, vai mudar alguma coisa. Sinto uma pasmaceira no ar, sinto aquela sensação de “já vi essas coisas antes” em quase tudo que leio atualmente. Acho, sim, que falta uma revolução na literatura brasileira como a que ocorreu durante o boom latino-americano. O Brasil ainda não descobriu sua voz própria da pós-modernidade. A voz do regionalismo e do início do urbanismo (que dominou quase todo o século XX) foi substituída por arremedos de literatura beat dos anos 60. Em geral, todos os escritores novos brasileiros lembram algum gringo. Difícil é saber se, nesse mundo globalizado e com o domínio de editoras estrangeiras, ainda existe espaço para novidades, experiências, ou se estamos condenados ao que vende. Chegamos ao ponto em que as micro-editoras só publicam o que “não está na moda” (o que não quer dizer que tenha qualidade). E, veja as tatuagens e os piercings - o que não está na moda hoje, pode estar amanhã.
Bom, destilando minha dose de pessimismo (nem sempre eu sou assim), concluí voltando a escrever poesias, algo que nunca vendeu mesmo. Quem sabe, os poetas não viram a próxima moda e eu sou convidado a participar do próximo Big Brother?