O caderno Babelia desse fim de semana fala sobre blogs e literatura. Um trecho, que traduzo:
“Os escritores vão se adaptando a convivência com estas mídias: os romancistas incorporaram a sua escrita procedimentos narrativos derivados do cinema; os poetas experimentaram com a tipografia da máquina de escrever; hoje, graças a internet e as facilidades tecnológicas do computador, apareceu o blog como um novo gênero literário; uma nova geração de autores o utiliza como parte fundamental de seu projeto narrativo, ao passo que busca incorporar em seu texto procedimentos aprendidos pela convivência diária com as mídias e tecnologias emergentes.”
Blog como gênero literário? Cheguei a gargalhar com o otimismo de Edmundo Paz Soldán. Alguém aí, por favor, pode me dizer quem é a nova geração que utiliza o blog como “parte fundamental de seu projeto narrativo”? Não falo do Brasil, falo do mundo inteiro. Alguém, alguém?























Ok, concordo. É um equívoco tomar blog como novo gênero literário (talvez jornalístico!). mas vc ñao acha que a blogosfera abriga grandes talentos, nos mais diversos gêneros literários? No meio do inegável lixo, quanta poesia, crônica, contos, enfim litertura, de qualidade a gente encontra navegando?
O que vc pensa sobre isso?
Sim, concordo. Porém dizer que se trata de um novo gênero literário? Aí escritores começam a trocar e-mails com seus leitores e vão reunir tudo e dizer que se trata de um novo gênero também? Afinal, os mesmos argumentos dos que tratam um blog como novo gênero literário em relação ao livro de papel pode ser usado emk relação aos e-mails, diferenciando-os das antigas cartas. Por enquanto, blogs tem sido usados apenas como suporte para publicação. Poesias, crônicas e contos são publicados em blogs apenas pela facilidade. Antigamente publicava-se utilizando mimeógrafos e ninguém diz que isso é um gênero literário distinto. Tanto é assim que se fazem sucesso - como foi o caso dos Wunderblogs -, são publicados em papel perdendo pouco ou nada. Tratar como gênero literário seria apropriado se notássemos verdadeira diferença entre textos publicados nos dois meios. Se isso existe, é minoria.
Claro. Assim como “livro” nunca foi “gênero literário”. isso é asneira!
abç, f
ps; tb não quis dizer antes que seria um “gênero jornalístico”, mas que às vezes o conteúdo nem tem nada de literário. Muitas vezes é jornalístico. Explicado.
Não sei se lhe interessa, mas por uma certa coincidência, o post de Pedro Dória hoje é sobre blogs e jornalismo.
http://www.pedrodoria.com.br/
Não importa se é jornalístico ou literário (e o blog pode ser qq um desses) Ele não é gênero. É suporte.
simples assim
OI, Leandro, gênero literário é um rótulo que assusta. Talvez porque o endeusemos demais. Mas a narrativa dos blogs criam um modelo, o texto confessional, a prosa rápida, para ser consumida em segundos, a literatura fast-food. O que muitos autores já estão fazendo na versão papel. E as editoras se interessam. Mesmo que o autor não seja blogueiro, é o estilo que passa a dominar. Um livro que saiba contar razoavelmente uma historinha de forma pouco reflexiva e sem experimentalismos de linguagem é o que agrada ao público. Por certo este estilo de narrativa não foi invenção de blogueiros, mas caiu como uma luva no suporte. Quanto a nomes, só me lembro agora que Armando Freitas Filho há não muito tempo anunciou que publicaria seus e-mails. Acho que desistiu. Um abração.