Uma Pergunta para o Polzonoff

Categoria: Internet

Sobre este post uma pergunta: e quando você está cansado de tudo aquilo que já disseram? Quer dizer, falta ler um monte de clássicos que não leremos em uma vida, mas em alguns casos já falaram tanto de um determinado livro que é impossível não nos contaminarmos com um olhar direcionado. “Eis o clássico” pensamos. E parece quase uma solenidade, parece que soaram os clarins. Isso não cansa às vezes?

UPDATE
O Paulo Polzonoff dá sua resposta aqui.


7 Mulheres

Categoria: Internet

Seguindo os posts do Polzonoff, do João Phillipe e do Alex Castro, publico as ‘minhas’ mulheres literárias. Apaixonado mesmo, só pela primeira, as outras eu apenas ‘ficaria’. Para justificar, vai um trecho sobre cada uma delas:

1 - Charlotte Rittenmeyer - “Palmeiras Selvagens”

“Trabalho com barro, ou com bronze, e uma vez com um pedaço de pedra, cinzel e marreta. Sinta. - Ela pegou na mão dele e fez com que esfregasse as pontas dos dedos na palma de sua outra mão - a larga, direta, forte mão, de dedos finos com unhas cortadas tão rentes como se ela as tivesse roído, a cutícula e as juntas dos dedos não exatamente calosas mas suavemente endurecidas e resistentes como a pelo de um calcanhar. - É o que faço: algo que se possa tocar, pegar, algo que pese na mão e se possa olhar pelo lado de trás, que desloque o ar e desloque a água e quando se deixa cair seja seu pé que se quebre e não o objeto.”

2 - Mme. Chauchat - “A Montanha Mágica”

“Era uma senhora que atravessava a sala, ou melhor, uma moça, de estatura média, vestida de pulôver branco e saia a fantasia, com cabelos ruivos, que ela usava numa trança enrolada em volta da cabeça… Andava sem fazer ruído, o que formava um contraste estranho com a sua entrada barulhenta; caminhando de um modo singularmente furtivo, com a cabeça levemente avançada…”

3 - Luzia - “O Continente”, tomo 2

“E, sem compreender como, Bolívar odiou a noiva. Odiou-a por tudo quanto sentia por ela, odiou-a porque ela era bela, rica e inteligente. E odiou-a principalmente por causa de seus caprichos de mocinha mimada. Ele lhe pedira, lhe suplicara quase, que transferisse a festa do noivado para outro dia qualquer, a fim de que a cerimônia não coincidisse com a hora do enforcamento de Severino. Luzia batera o pé: “Não, não e não!”"

4 - Sahrazad - “O Livro das Mil e uma Noites”

“Sahrazad, a mais velha, tinha lido livros de compilações, de sabedoria e de medicina; decorara poesias e consultara as crônicas históricas; conhecia tanto os dizeres de toda gente como as palavras dos sábios e dos reis. Conhecedora das coisas, inteligente, sábia e cultivada, tinha lido e entendido… Ela respondeu [a seu pai]: “Eu gostaria que você me casasse com o rei Sahriyar. Ou me converto em um motivo para a salvação das pessoas ou morro e me acabo, tornando-me igual a quem morreu e acabou”"

5 - Albertine - “Em Busca do Tempo Perdido”

“Certos dias, delgada, pálida, aborrecida, uma transparência violeta a descer-lhe obliquamente ao fundos dos olhos, como algumas vezes se vê no mar, ela parecia estar sentindo uma tristeza de exilada. Noutros dias, sua face, mais polida, envisgava os desejos de sua superfície envernizada e os impedia de passar além, a não ser que de súbito eu a visse de lado, pois suas faces foscas como uma branca cera na superfície eram róseas por transparência, o que dava tanta vontade de as beijar, de tocar aquela tez diferente que se furtava.”

6 - Molly Bloom - “Ulisses”

“…sim quando eu punha a rosa em minha cabeleira como as garotas andaluzas costumavam ou devo usar uma vermelha sim e como ele me beijou contra a muralha mourisca e eu pensei tão bem a ele como a outro e então eu pedi a ele com os meus olhos para pedir de novo sim e então ele me pediu quereria eu sim dizer sim minha flor da montanha e primeiro eu pus os meus braços em torno dele sim e eu puxei ele pra baixo pra mim para ele poder sentir meus peitos todos perfume sim o coração dele batia como louco e sim eu disse sim eu quero Sims.”

7 - Genoveva - do conto “Noite de Almirante”

“- Pode crer que pensei muito e muito em você. Sinhá Inácia que lhe diga se não chorei muito… Mas o coração mudou… Mudou… Conto-lhe tudo isto, como se estivesse diante do padre, concluiu sorrindo.

Não sorria de escárnio. A expressão das palavras é que era uma mescla de candura e cinismo, de insolência e simplicidade, que desisto de definir melhor. Creio até que insolência e cinismo são mal aplicados. Genoveva não se defendia de um erro ou de um perjúrio; não se defendia de nada; faltava-lhe o padrão moral das ações. O que dizia, em resumo, é que era melhor não ter mudado, dava-se bem com a afeição do Deolindo, a prova é que quis fugir com ele; mas, uma vez que o mascate venceu o marujo, a razão era do mascate, e cumpria declará-lo. Que vos parece? O pobre marujo citava o juramento de despedida, como uma obrigação eterna, diante da qual consentira em não fugir e embarcar: “Juro por Deus que está no céu; a luz me falte na hora da morte”. Se embarcou, foi porque ela lhe jurou isso. Com essas palavras é que andou, viajou, esperou e tornou; foram elas que lhe deram a força de viver. Juro por Deus que está no céu; a luz me falte na hora da morte…

- Pois, sim, Deolindo, era verdade. Quando jurei, era verdade. Tanto era verdade que eu queria fugir com você para o sertão. Só Deus sabe se era verdade! Mas vieram outras coisas… Veio este moço e eu comecei a gostar dele…

- Mas a gente jura é para isso mesmo; é para não gostar de mais ninguém…”


Ah, Como é Bom Encontrar Esses Bons Textos na Internet!

“Quando eu não quero ler - como agora - eu quero querer. Porque sei que vou querer ler mais tarde, e vou querer ler mais livros, e vou pensar nas tardes livres que passei vendo televisão ou perdendo xadrez no computador e elas não vão poder ser reembolsadas.”

O Lucas voltou com a corda toda. Um texto de leitor para leitor. Aliás de um excelente leitor. Clique aqui para ler “Agruras de Leitor”.


Primeiro Livro do Clube de Leituras do Idelber

Categoria: Internet

Os textos do Clube de Leituras do Biscoito Fino já começaram a ser postados. Nesta primeira rodada - que infelizmente só acompanho de longe - o livro “Duas Vezes Junho” está em pauta. Leiam os bons comentários sobre a obra clicando aqui.E quem quiser, pode já começar a ler “Grande Sertão: Veredas”, o próximo da lista.

UPDATE
O Idelber publicou no blog dele uma entrevista com o autor. Imperdível.


Outro Blog

Categoria: Internet

Para quem ainda não conhece, a dica do dia é excelente o blog “Outra Babel”, do Vinicius Jatobá. Destaque para o texto sobre “O Som e a Fúria” um dos melhores livros que já li e que recomendo enfaticamente. Leia o texto clicando aqui.


Clube de Leituras do Idelber

Categoria: Internet

O Idelber Avelar, do blog “O Biscoito Fino e a Massa”, está promovendo um Clube de Leituras. No dia 8 de junho começam as discussões sobre a obra “Duas Vezes Junho” de Martín Kohan, escritor argentino. O livro foi traduzido pelo Marcelo Barbão do blog “Cadernos de Escritura” e lançado pela editora Amauta. Idelber já prometeu uma entrevista com o escritor que será publicada durante a discussão. Provavelmente ficarei fora da primeira rodada mas para julho o assunto vai ser “Grande Sertão: Veredas” e essa discussão não perco. Quem quiser, já pode começar as leituras.


Machado de Assis Esquecido

Categoria: Internet

O Rafael Galvão, em seu blog, publicou uma lista de sonhos de consumo. O primeiro deles, ele descreve assim:

“Uma edição crítica definitiva de Machado de Assis, com texto fixado e notas de rodapé contextualizando as referências históricas e geográficas, introduções com boa apreciação crítica de cada peça e um apêndice com fotos de Machado e do Rio de Janeiro daquela época, em edição bem acabada, com capa dura e sobrecapa elegante.”

Este é um item que eu estou procurando faz algum tempo. Não consigo entender como pode um dos mais importantes escritores do país não ter uma coleção para os leitores mais exigentes. Aliás, difícil encontrar uma coleção decente. A que mais se aproxima disso é a edição da editora “Nova Aguilar” que reúne as obras em três volumes, com capa dura e papel Bíblia. A reunião possui alguns inconvenientes: o leitor que quiser ler apenas uma das obras tem que levar várias outras consigo e a diagramação - por causa do formato - é feita com letras pequenas e o espaço entre as linhas é também reduzido. Mas é a melhor que temos. A editora “Globo”, no passado, também publicou as obras de Machado de Assis em vários volumes, numa boa coleção, mas que hoje em dia somente é encontrada nos sebos. Eu, assim como o Rafael, ainda não encontrei a coleção que Machado de Assis merecia e, se encontrasse, não hesitaria em adquiri-la. Machado de Assis é assim um escritor que está mais presente nas lixeiras do que nas prateiras de destaque das livrarias.

O que é mais estranho no caso do escritor é que há no país um grande número de leitores interessados na obra. Basta ver o sucesso da nova biografia de Machado de Assis, “Machado de Assis: Um Gênio Brasileiro” de Daniel Piza, que foi resenhada nos principais jornais e revistas do país. Mesmo se este público inexistisse, o MEC (pelo que sei) ainda recomenda a leitura de suas obras aos estudantes do ensino básico e médio. Além dos leitores, estudiosos dos textos de Machado estão em todas as principais faculdades de Letras do país. O número de dissertações e teses sobre o escritor é talvez maior que todos os outros. Por último, os direitos autorais de suas obras já pertencem ao público, segundo a Lei de Direitos Autorais do nosso país. Em resumo: se existe alguma razão para que nenhuma editora se interesse em realizar o trabalho e publicá-lo, eu desconheço.

O tratamento que o país dá a um dos seus maiores escritores - o único considerado gênio por Harold Bloom, um dos mais importantes críticos literários vivos - dá idéia de como o mercado editorial brasileiro ainda precisa se desenvolver. Apenas para comparar, qualquer leitor que apanhe um exemplar da obra de Fernado Pessoa de “Poesia”, publicado pela editora “Assírio & Alvim” em Portugal, ficaria espantado em como aquele país cuida bem da obra do escritor que é tão importante para o país como Machado para o Brasil. Definitivamente, o mínimo que esperamos é um mercado editorial que valorize a literatura.


Ainda o Jabá

Categoria: Internet

“A discussão em torno à venda de livros - se é algo que possa se vender como sabonetes ou se é uma mercadoria especial - não é de hoje. Há editores e livreiros que julgam ser o livro uma mercadoria como qualquer outra. Também há os mais raros, se é que ainda existem, que consideram o livro uma mercadoria nobre. O fato é que os mercenários mandam no mercado. Eu, que sempre vivi cercado de livros, hoje tomo distância das grandes livrarias. E se, por necessidade, entro numa delas, a resposta é sempre uma só: o livro que o senhor procura, não temos no momento.”

Embora a notícia do jabá nas livrarias não repercutiu muito, Janer Cristaldo, com uma clareza e uma objetividade que quase nunca é vista por aqui, critica fortemente a prática e as grandes redes de livrarias. Leia o texto dele aqui. E ainda querem me convencer que existe uma crise no mercado brasileiro…


Despertando nossa Curiosidade

Categoria: Internet

Excelente ensaio de Sérgio Augusto, publicado no Digestivo Cultural, sobre Jonathan Safran Foer e seu “Tudo se ilumina”. Não conheço o autor (embora já haviam me recomendado a leitura de “Como o Futebol Explica o Mundo”) e o ensaio serve como um ótimo estímulo à nossa curiosidade. O ensaio “Uma Jornada Rígida e Inordinária” pode ser lido aqui.

Será que somente eu tenho saudades dos ensaios de Sérgio Augusto que eram publicados na revista “Bravo!”?


Livros Lidos por Todos

Categoria: Internet

Em minha opinião, este post da Bárbara deveria ser impresso e distribuído nos sinais. Lembrei-me dele com a chegada do novo ano, quando vejo circular muitas listas de livros lidos no ano que passou. É impressionante como a grande maioria de pessoas leu basicamente os mesmos livros e estes, coincidentemente, fazem parte das listas de mais vendidos de praticamente toda revista semanal. Todos os de Dan Brown, O Senhor dos Anéis, O Mundo de Sofia, Harry Potters, Paulo Coelho, auto-ajuda com títulos sobre ‘como fazer/ter alguma coisa’, bruxaria e esoterismo, etc. O que é pior: nada além disso. Pior ainda: a maioria dessas pessoas, daqui a dez anos, estará lendo os mesmos tipos de livros - aqueles que são exaustivamente anunciados. Como conseguem?


« Posts anteriores