“Como se sabe, o escritor-lepidoptorólogo só se sentava para escrever quando tinha em mente a imagem e a estrutura da novela em cada detalhe, em cada espiral. Fazia fichas individuais que, ao juntar e ser submetidas a permanentes revisões, iam moldando a narrativa. Brian Boyd, que teve acesso aos diários de Nabokov (misteriosamente não se fala em publicar essa parte do iceberg), diz em sua biografia que uma das últimas entradas mostrava até onde se tinha chegado a redação: 50 fichas completas, aproximadamente umas 100 páginas impressas. Muito pouco para um livro que estava perfeitamente desenhado na imaginação de Nabokov.”
Pedro B. Rey argumenta no suplemento ADN Cultura, do jornal argentino La Nación, porque o tão esperado romance inédito de Nabokov, The Original of Laura, tem tudo para ser a grande cascata-caça-níquel do mercado literário. Para ler o artigo completo, clique aqui.
Além do caderno Prosa e Verso do jornal O Globo de hoje, o blog Prosa Online do jornal fala da situação da crítica literária hoje. O texto de Lucas Murtinho levanta boas questões sobre o assunto. Para lê-lo, clique aqui.
É um assunto que merece um texto um pouco mais detalhado depois.
“–¿Le frustra ser identificado siempre como un escritor “dominicano” o “latino”, y no simplemente como un “escritor”?
–No, porque no existe nada semejante a ser simplemente un escritor. Creo que cuando alguien dice que es un escritor sin más lo que quiere decir es que es un escritor blanco. En otras palabras, históricamente jamás ha existido este concepto de ser escritor sin raza ni género. El hecho por el que la palabra “escritor” debe ser modificada es porque cuando la gente habla de escritores tendemos a querer decir, a un nivel inconsciente, hombres blancos. Y no creo que ser un escritor dominicano o un escritor blanco diga nada sobre tu talento, sobre el material del que escribes. Ésta es la diferencia importante. La gente interpreta que cuando le pones una coletilla es porque eres un tipo distinto de un escritor. Pero no es el caso. Sólo porque aquéllos de nosotros que escribimos en inglés en Estados Unidos seamos escritores americanos no significa que realmente tengamos mucho en común. Creo que la razón por la que no me importa ser etiquetado o etiquetarme a mí mismo es porque creo que el universo entero puede encontrarse en la experiencia dominicana. No veo la República Dominicana como una limitación. La gente tiende a pensar que venir de una isla pequeña con una historia tan extraña es de alguna manera limitador. En mi cabeza, del mismo modo que una isla pequeña, lluviosa, fría y gris del Atlántico Norte puede imaginarse a sí misma como el centro del universo, no veo por qué un dominicano que viene de ese sitio y tiempo tan diminutos no puede imaginarse a sí mismo como el centro del universo.”
Junot Díaz, autor de The Brief Wondrous Life of Oscar Wao, livro vencedor do prêmio Pulitzer de ficção e do Tournament of Books, numa excelente entrevista para o El Cultural. A entrevista completa pode ser lida aqui.
Aos que estão em Belo Horizonte, a dica desta terça é ir ao lindo Museu de Artes e Ofícios ouvir o escritor Bernardo Carvalho.
O escritor Junot Díaz recebeu o prêmio Pulitzer de ficção por “The Brief Wondrous Life of Oscar Wao”. Aqui no Brasil a editora Record lançou seu livro de contos “Afogado”. Confesso que somente me dei conta de seu nome por causa do Tournament of Books - o livro do Junot foi o campeão desse ano. Para conhecer um pouco do livro, recomendo esse texto brilhante de Tiago A. Também, um trecho dele foi publicado na New Yorker e pode ser lido aqui. O que está ali realmente impressiona e é especialmente divertido percorrer o ‘inglesol’ do texto. Mais sobre Junot Díaz aqui e aqui. A notícia do jornal O Globo aqui.
O caderno Babelia desse fim de semana fala sobre blogs e literatura. Um trecho, que traduzo:
“Os escritores vão se adaptando a convivência com estas mídias: os romancistas incorporaram a sua escrita procedimentos narrativos derivados do cinema; os poetas experimentaram com a tipografia da máquina de escrever; hoje, graças a internet e as facilidades tecnológicas do computador, apareceu o blog como um novo gênero literário; uma nova geração de autores o utiliza como parte fundamental de seu projeto narrativo, ao passo que busca incorporar em seu texto procedimentos aprendidos pela convivência diária com as mídias e tecnologias emergentes.”
Blog como gênero literário? Cheguei a gargalhar com o otimismo de Edmundo Paz Soldán. Alguém aí, por favor, pode me dizer quem é a nova geração que utiliza o blog como “parte fundamental de seu projeto narrativo”? Não falo do Brasil, falo do mundo inteiro. Alguém, alguém?
Muito interessante o programa Espaço Aberto que entrevistou André Sant’anna. O público consegue ver na televisão um jovem escritor brasileiro (para maioria, escritor ou está bastante velho ou já morreu). Interessante porque o André Sant’anna admite estar em formação e se incomodar com as críticas. Além de mostrar para as pessoas que escritor também aprende - apesar de a maioria achar que escritor já nasce gênio -, não existe aquela atitude meio hipócrita de muitos que dizem que não se incomondam em serem criticados (como se se importar com aquilo que falam de você fosse algum defeito).
Lembrei-me de uma ocasião em 2005 quando, durante uma entrevista, um escritor famoso dizia que não se importava com as críticas que saíam no jornal a seu respeito e lembrei a ele de uma ocasião em que ele pareceu bem incomodado com uma resenha e ele desconversou dizendo que estava vivendo ‘um momento’.
Para ver o vídeo do programa clique aqui.
Vamos lá:
O Idelber Avelar convoca todos para a discussão da grande obra de Ariano Suassuna, “Romance da Pedra do Reino”. Comecem a ler agora e no dia 18 de fevereiro publiquem suas observações nesse que é o melhor Clube de Leituras da internet. Clique aqui para mais detalhes.
Desde que li “Os Detetives Selvagens”, fiquei tentando escrever algo que realmente explicasse o porquê de Roberto Bolaño ser um dos mais importantes escritores latino-americanos contemporâneos. O Milton começou a fazer isso e o texto promete uma análise detalhada do escritor. Clique aqui para ler o primeiro texto da série.
Novamente, os livros policiais. Questões bastante interessantes que merecem um debate que vai além do gênero, afinal, por que literatura popular de entretenimento afasta os leitores no Brasil? Leia o texto “O dilema da literatura policial brasileira” da escritora Olivia Maia na nova edição do Palavra, do Le Monde Diplomatique.
“The Original of Laura”, obra inédita e inacabada de Nabokov pode ir pra fogueira. Clique aqui para ler o texto “Son hints he will burn Nabokov’s last work” no jornal The Guardian.
A partir de hoje, escritores brasileiros e de qualquer nacionalidade que escreve em português podem fazer a inscrição para concorrer ao Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa 2008.
O site, além de desatualizado, traz na barra de título da janela do navegador um tal prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira 2007, que, como sabemos, tornou-se Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Português (quer brasileira ou estrangeira).
E saiu o resultado do Portugal Telecom. E deu Portugal:
Português Gonçalo M. Tavares vence prêmio Portugal Telecom
O escritor português Gonçalo M. Tavares foi o vencedor do prêmio Portugal Telecom de literatura em língua portuguesa 2007, com o livro “Jerusalém”, divulgaram nesta terça-feira os organizadores.
Os escritores brasileiros Danton Trevisan, autor de “Macho não ganha flor”, que não compareceu à cerimônia, e Teixeira Coelho, com a obra “História natural da ditadura”, receberam o segundo e terceiro prêmios, respectivamente.
Jerusalém

Macho Não Ganha Flor

História Natural da Ditadura

Leia a notícia completa aqui.
Lá na Europa, saiu também o resultado do Booker Prize. E não deu Ian McEwan:
Escritora Anne Enright vence prêmio Booker com o livro ‘The Gathering’
A escritora irlandesa Anne Enright venceu o Prêmio Booker, um dos mais prestigiados do mundo literário, por sua obra “The Gathering”, anunciou nesta terça-feira (16) o comitê que concede essa distinção.
Anne Enright desbancou favoritos como Ian McEwan e Lloyd Jones e levou o prêmio de 50.000 libras (cerca de 185 mil reais).
Leia a notícia completa aqui.
Por último, o Jabuti cada vez mais risível. Desta vez ‘despremiaram’ um livro:
Câmara do Livro muda vencedor do prêmio Jabuti de biografia
A Câmara Brasileira do Livro alterou a lista dos vencedores do prêmio Jabuti deste ano, após descobrir que um dos nomes premiados havia morrido.
No próximo dia 31, receberá o prêmio de melhor biografia o escritor Lira Neto, autor de “O Inimigo do Rei: Uma Biografia de José de Alencar ou A Mirabolante Aventura de um Romancista que Colecionava Desafetos, Azucrinava D. Pedro 2º e Acabou Inventando o Brasil” (Editora Globo).
Leia a notícia completa aqui.
O vencedor da categoria romance é daqueles livros tão ruins, mas tão ruins, que lendo a primeira página você sabe o que acontecerá até o final. E o terceiro colocado já foi devidamente massacrado na Copa de Literatura pelo Eduardo Carvalho.
O britânico Ian McEwan é um dos seis finalistas do Booker Prize, prêmio literário mais prestigioso do Reino Unido, que será entregue no dia 16 de outubro. Ele é o favorito nas casas de apostas britânicas para ganhar a premiação de US$ 100 mil.
Definitivamente, o Parada sabe tudo de Booker Prize.
Notícia do Estadão.