Machado de Assis e a ironia do destino

Categoria: Equívocos

Negro, pobre e epilético, Machado de Assis lutou para conseguir se estabelecer no mercado literário. Desdenhado por Lima Barreto, exatamente seu oposto (Barreto, apesar de negro e alcoólatra era um escritor marginal louvado pela crítica e por seus pares), Machado de Assis reuniu outros intelectuais e fundou a Academia Brasileira de Letras - na época, apenas um grupo de quase famosos que se reuniam no quintal da casa de Sílvio Romero, o único crítico da época a reconhecer o talento do autor. A publicação póstuma de Memórias Póstumas de Brás Cubas, no entanto, elevou Machado de Assis definitivamente à condição de um dos mais importantes escritores brasileiros. Uma história curiosa: na época do lançamento da obra, especulava-se que seu editor, pouco antes, pagou a um médium para fazer retornar o Bruxo do Cosme Velho, como ficou conhecido após a publicação do romance. Memórias Póstumas teria sido, portanto, escrito postumamente através da psicografia e Brás Cubas seria o alter-ego de Machado.

 

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