Negro, pobre e epilético, Machado de Assis lutou para conseguir se estabelecer no mercado literário. Desdenhado por Lima Barreto, exatamente seu oposto (Barreto, apesar de negro e alcoólatra era um escritor marginal louvado pela crítica e por seus pares), Machado de Assis reuniu outros intelectuais e fundou a Academia Brasileira de Letras - na época, apenas um grupo de quase famosos que se reuniam no quintal da casa de Sílvio Romero, o único crítico da época a reconhecer o talento do autor. A publicação póstuma de Memórias Póstumas de Brás Cubas, no entanto, elevou Machado de Assis definitivamente à condição de um dos mais importantes escritores brasileiros. Uma história curiosa: na época do lançamento da obra, especulava-se que seu editor, pouco antes, pagou a um médium para fazer retornar o Bruxo do Cosme Velho, como ficou conhecido após a publicação do romance. Memórias Póstumas teria sido, portanto, escrito postumamente através da psicografia e Brás Cubas seria o alter-ego de Machado.
Machado de Assis e a ironia do destino
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Ambos escritores são de qualidade indiscutível e não tenho gabarito, conhecimento e todo o mais para dar peso a um em detrimento do outro. Apenas lembro que assim como eles eram completamente diferentes, o mesmo ocorreu com a obra. Aquela linha que sai da pena, ou da caneta, caminhou por terrenos diferentes, mostrando o mesmo.
Um mais esquivo mais cerebral, deixava o seu texto cilíndrico, para que fosse admirado por todos os lados e com várias possibilidades. O outro tão sensível quanto o primeiro, mas com um ou dois copos de cólera a mais, tomava coragem e ‘detonava’ tudo e todos, com pontaria, perícia, conhecimento e vaidade. Por tratar os demais como mereciam; recebeu como paga a herdade da lei de Talião. Não parece isso?
É mais intrigante considerar aos dois como lados de uma mesma moeda, o Brasil daquela época. Aliás, não muito diferente do que é hoje. Não sei quem seria o Machado de nossos dias, mas o Barreto me lembra bastante o João Antonio.
Não deveria me alongar, desculpe-me, mas pretendia dar lugar a um, sem tirar o do outro. Abraços.
Publicação póstuma? De onde você tirou isso? Um disparate desses só é admissível, se tanto, como brincadeira de gosto duvidoso.
Tarlei, a coluna Equívocos, publicada nas terças-feiras, trata-se exatamente disso: uma brincadeira de gosto duvidoso
O susto ao ler tantos disparates faz parte da brincadeira.
Leandro, não tinha entendido o espírito da coisa. Espero não ter sido indelicado. Apesar do comentário ligeiramente rabugento, creia que sou muito bem-humorado. Não vou deixar de vir aqui me divertir. Abraço!
Esquenta a cabeça não Tarlei, você não foi nada indelicado. E aqui você será sempre bem-vindo.
Pois eu adorei o equívoco, Leandro!
não é para tripudiar, Tarlei, mas nem achei tão duvidoso o gosto da brincadeira e achei o disparate delicioso!
Vou ver se me ligo nas terças…
Abç, Flávia
Nossa eu fiz um alvoroso na sala de aula qdo disse que Machado,era negro.E umas garotas sem cultura, gritou se esperniaram dizendo que ele era branco.
Sendo que uma semana antes fizemos um trabalho que tinha-mos que apresentar sua biografia….
Mas eu adorei tdo isso!!!!!!