O Rafael Galvão, em seu blog, publicou uma lista de sonhos de consumo. O primeiro deles, ele descreve assim:
“Uma edição crítica definitiva de Machado de Assis, com texto fixado e notas de rodapé contextualizando as referências históricas e geográficas, introduções com boa apreciação crítica de cada peça e um apêndice com fotos de Machado e do Rio de Janeiro daquela época, em edição bem acabada, com capa dura e sobrecapa elegante.”
Este é um item que eu estou procurando faz algum tempo. Não consigo entender como pode um dos mais importantes escritores do país não ter uma coleção para os leitores mais exigentes. Aliás, difícil encontrar uma coleção decente. A que mais se aproxima disso é a edição da editora “Nova Aguilar” que reúne as obras em três volumes, com capa dura e papel Bíblia. A reunião possui alguns inconvenientes: o leitor que quiser ler apenas uma das obras tem que levar várias outras consigo e a diagramação - por causa do formato - é feita com letras pequenas e o espaço entre as linhas é também reduzido. Mas é a melhor que temos. A editora “Globo”, no passado, também publicou as obras de Machado de Assis em vários volumes, numa boa coleção, mas que hoje em dia somente é encontrada nos sebos. Eu, assim como o Rafael, ainda não encontrei a coleção que Machado de Assis merecia e, se encontrasse, não hesitaria em adquiri-la. Machado de Assis é assim um escritor que está mais presente nas lixeiras do que nas prateiras de destaque das livrarias.
O que é mais estranho no caso do escritor é que há no país um grande número de leitores interessados na obra. Basta ver o sucesso da nova biografia de Machado de Assis, “Machado de Assis: Um Gênio Brasileiro” de Daniel Piza, que foi resenhada nos principais jornais e revistas do país. Mesmo se este público inexistisse, o MEC (pelo que sei) ainda recomenda a leitura de suas obras aos estudantes do ensino básico e médio. Além dos leitores, estudiosos dos textos de Machado estão em todas as principais faculdades de Letras do país. O número de dissertações e teses sobre o escritor é talvez maior que todos os outros. Por último, os direitos autorais de suas obras já pertencem ao público, segundo a Lei de Direitos Autorais do nosso país. Em resumo: se existe alguma razão para que nenhuma editora se interesse em realizar o trabalho e publicá-lo, eu desconheço.
O tratamento que o país dá a um dos seus maiores escritores - o único considerado gênio por Harold Bloom, um dos mais importantes críticos literários vivos - dá idéia de como o mercado editorial brasileiro ainda precisa se desenvolver. Apenas para comparar, qualquer leitor que apanhe um exemplar da obra de Fernado Pessoa de “Poesia”, publicado pela editora “Assírio & Alvim” em Portugal, ficaria espantado em como aquele país cuida bem da obra do escritor que é tão importante para o país como Machado para o Brasil. Definitivamente, o mínimo que esperamos é um mercado editorial que valorize a literatura.























Eu acho que dificilmente vai ter uma obra tão completa assim, nos dias de hoje. E daqui a 20 anos. E daqui a 30.
Tá na moda fazer mestrado falando sobre Machado. Só na PUC esse mês tem umas 3 dissertações sobre o autor. É muita gente querendo falar sobre muita coisa. São muitas suposições e nem todas elas estão erradas.
Acho eu, que quando Paul Rabbit morrer e virar o autor da moda de mestrado, ai sim, poderá surgir alguma coisa. Uma coisa mais completa.
Harold Bloom é bom, mas não o melhor. Para fazer um trabalho tão grande sobre a obra de Machado, hoje em dia tem diversas pessoas melhores qualificadas.
Olha Carol, respeito muito o trabalho de Harold Bloom, mas pessoalmente também discordo muito de algumas de suas afirmações e propostas. Inclusive num post do Polzonoff sobre ele a pouco tempo, comentei que achava burrice algumas de suas afirmações. Mas isso é assunto para outro post…
Leandro, essas características (e o papel bíblia fininho) me incomodam nas edições da Aguilar. Meu “Guerra e Paz” ocupa metade de um livro desses.
Agora, eu não tenho certeza, mas há uma edição crítica do MEC; o problema é que falta o resto das informações necessárias.
Apoiadíssimo.
Embora eu não seja fã de Machado, concordo com a crítica quanto ao tratamento que se dá aos escritores considerados importantes. O discurso oficial é de valorização, porém as medidas concretas deixam a desejar.
Consigo ler H Bloom com proveito; não obstante, tenho minhas reservas. Mas um crítico que esbraveja contra o patrulhamento ideológico que assombra o mundo da Literatura marca pontos comigo…
Tava conversando outro dia com uma pessoa do meio, e me parece que o Roberto Schwarz fez um trabalho bom sobre a obra do Machado. Agora não me lembro o nome, nem li para saber se é realmente bom ou não.
Do Roberto Schwarz, está em minha wishlist o livro de ensaios “Ao Vencedor as Batatas”, considerado clássico para análise das obras de Machado de Assis. Menos falado, mas também dele, “Um Mestre na Periferia do Capitalismo” fala sobre Memórias Póstumas. Agora uma coleção das obras de Machado com notas dele eu não conheço.
Olá Leandro, comecei a ler Machado de Assis ano passado, não sou lá um leitor muito assíduo, mas estou no terceiro romance dele, e concordo a respeito da magnificência do mesmo.
Apesar do descaso das editoras com este gênio, fico tranqüilo por pensar que por si só Machado é imortal, por mais que aja uma falta de compromisso no Brasil com suas obras, elas pela qualidade que têm, tornase-ão imortais.
A propósito, você já leu Machado de Assis Historiador? É um crítica literária ao autor bem interessante.
Fiquei muito satisfeito em ver o seu texto!
Sucesso para o teu blog! Vou voltar mais vezes para alicerçar minha formação literária!
Abraços
OOiii
tudo bom eu estou procurandooo por uma literatura e naum por uma vida dele eu quero ssaber a LITERATURA e naum a VIDA
entendeuuu
adoro todos os livros de machado de assis pricipalmente o alienista e um otimo livro
Para mim Machado de Assis foi um grande um exemplo para o brasil
queria que ele estivese aqui para conhecer ele
Os livros dela são muito bons .
Olá,
Um texto muito importante sobre o descaso com a literatura nacional por parte de algumas editoras. Não é possível que Machado de Assis não mereça edições e mais edições especiais sobre suas obras. Nesse ano de comemoração do centenário de sua morte até saíram mais obras, mas não vi nenhuma edição definitiva ainda. O grande achado foi um conto seu que estava perdido. Uma boa dica é assistir ao filme O Demoninho de Olhos Pretos, de Haroldo Marinho (Baixo Gávea), baseado em seus Contos Fluminenses. Já há um trailer do longa: http://www.moviemobz.com/demoninho